A Académica está de regresso aos campeonatos nacionais de futebol. No caso, a Secção de Futebol da Associação Académica de Coimbra, equipa constituída por estudantes e, neste sentido, herdeira da tradição do futebol amador das primeiras décadas da Primeira Divisão, sagrou-se campeã da Divisão de Honra da Associação de Futebol de Coimbra. A AAC/SF (de Secção de Futebol) irá assim competir no #Campeonato Nacional de Séniores na próxima temporada. E embora já fosse possível, com a participação de clubes dos distritais na Taça, um encontro entre a SF e a Académica profissional (oficialmente Organismo Autónomo de Futebol, OAF), essa possibilidade teórica volta a colocar-se em cima da mesa, uma vez que a participação da SF na Taça de Portugal é agora uma certeza.

Divisão não ultrapassada

A divisão institucional foi causada pela extinção da secção de futebol durante o PREC, e consequente conversão, primeiro, no Clube Académico de Coimbra, e mais tarde (em 1984) no Organismo Autónomo de Futebol, no que foi considerado o regresso à casa-mãe. Paralelamente, a histórica associação de estudantes veio a reactivar uma equipa de futebol de 11 própria, competindo, logicamente, nos distritais de Coimbra.

A Académica foi o único clube onde a evolução do futebol amador para o futebol profissional causou uma crise de identidade. É frequente, ainda  hoje, adeptos de outros clubes mencionarem o facto de a equipa profissional já não ter estudantes. Uma situação que não se coloca para nenhum outro clube, pois o SL Benfica, o FC Porto e o Sporting CP também já não têm jogadores amadores - embora, de forma paralela, se lamente por vezes que a percentagem de jogadores portugueses seja reduzida. 

Contudo, a separação entre instituições conduziu a uma nova fractura sociológica. Hoje, existe um certo grau de rivalidade entre as duas Académicas, difícil de compreender para quem não é da cidade - e difícil de compreender também para os adeptos que a Académica tem por todo o país. De certa forma, e dados os problemas e a perda de representatividade que o União de Coimbra sofreu nos últimos anos, pode dizer-se que a antiga rivalidade entre Académica e União foi substituída pela nova rivalidade conimbricense, entre a Secção (SF) e o Organismo (OAF). Até que ponto a promoção da Secção de Futebol aos campeonatos nacionais contribuirá para acentuar, ou atenuar, a rivalidade?