Aos poucos, vão-se conhecendo mais detalhes sobre a catarse total que se viveu no Barcelona nos dias que se seguiram à derrota na Anoeta frente à Real Sociedad, apesar do esforço dos protagonistas para retirar importância ao assunto. Já é um segredo a vozes que, antes do jogo, houve um incidente durante um treino vespertino entre Luis Enrique e Messi, que resultou numa discussão feroz, ante o olhar incrédulo dos familiares dos jogadores, que assistiam a tudo das bancadas. Messi ficou no banco no jogo contra os donostiarras, assim como outros habituais titulares, como Neymar, Daniel Alves ou Piqué. O Barça perdeu com um golo de Jordi Alba na própria baliza.

Para Messi, diz o Mundo Deportivo, a derrota foi especialmente dolorosa. Primeiro, porque só pôde ajudar a equipa nos últimos 45 minutos; segundo porque o Barcelona continuava a um ponto do Real Madrid, que tinha perdido em Mestalla, frente ao Valência; e terceiro porque Cristiano Ronaldo levava já 11 golos de vantagem nas primeiras 16 jornadas da Liga: 26, contra os 15 do argentino.

O Barcelona enfrentava sem dúvida a semana mais difícil da temporada e Messi tomou uma posição de força ao decidir unilateralmente não aparecer no treino aberto que se celebrou na segunda-feira no Mini Estadi como prenda para as crianças, em véspera do Dia de Reis. A sua insatisfação com o treinador era monumental e estava disposto a esticar a corda até ao limite.

Luis Enrique também não reagiu da melhor maneira ao gesto do craque e ameaçou abrir-lhe um processo disciplinar com a sanção mais alta do código interno, por falta grave. Parecia inevitável o choque entre os dois. O clube justificou a ausência do jogador com uma gastroenterite, um eufemismo usado no mundo do futebol para desculpar problemas de outra índole.

O principal prejudicado com este escalar de acontecimentos era o Barcelona. Por isso, os capitães, com Xavi à cabeça, decidiram tomar as rédeas. Por outro lado, a cúpula também não ficou de braços cruzados. O presidente Josep Maria Bartomeu despediu o director desportivo, Andoni Zubizarreta, e antecipou as eleições para o Verão. Duas decisões que pretendiam acalmar o balneário e apaziguar o ambiente em torno do clube.

Messi era a prioridade. Mais uma vez, os capitães foram fundamentais e conseguiram fazer entender ao avançado que a sua postura estava a afectar o grupo e que tinha de deixar de esticar a corda, com um gesto de boa-fé. E ele fê-lo. Na terça, dia 6 de Janeiro, o plantel tinha o dia livre, mas Leo foi à Ciutat Esportiva exercitar-se. Uma prova de que estava disposto a continuar a "levar a equipa às costas" e que não ia desistir.

Nesse mesmo dia, o plantel fez um pacto, via WhatsApp, com duas mensagens que correram rapidamente entre os jogadores com maior peso no balneário. O seu conteúdo era tão explícito como simples. Deixava claro que a equipa precisava de reagir. A primeira missiva dizia: "Se continuarmos assim, está visto que não ganharemos nada este ano". Era uma análise fatalista, mas também realista, da situação. "Não podemos passar outra temporada em branco", lia-se na segunda. Esta apelava claramente a uma reacção do grupo.

Estas duas mensagens foram a base de uma promessa que o balneário fez e que não poderia ter resultado melhor. A partir daí, o Barça soma 28 vitórias, um empate e duas derrotas, estando às portas de três títulos, a apenas 90 minutos de ganhar cada uma das competições: campeonato, Liga dos Campeões e Taça do Rei. #F.C. Barcelona