Já foi há dez anos! O mundo chorava a morte de Jorge Perestrelo, locutor da rádio portuguesa TSF, vítima de um enfarte do miocárdio aos 56 anos. No dia anterior, tinha gritado o seu último golo e sempre com aquela emoção que lhe era tão característica.

Recuando dez anos no tempo, estamos no dia 5 de Maio de 2005. AZ Alkmaar e Sporting encontram-se, em partida da segunda mão da meia-final da Taça UEFA, com Jorge Perestrelo a relatar o jogo de futebol na TSF. Com o decorrer da partida, o Sporting iria ser eliminado da Taça UEFA, mas, no último lance da partida, Miguel Garcia marca o golo que coloca os leões na final da competição europeia. Como sempre, Jorge Perestrelo, a defender as cores nacionais, gritou o golo até ficar rouco. Tanta felicidade demonstrada pela voz do locutor, considerado como um dos "melhores relatadores de sempre". No entanto, no dia seguinte, a pior notícia chegou: a morte de Jorge Perestrelo era anunciada e o mundo, principalmente da rádio, chorava.

Jorge Perestrelo nasceu em 1948, em Lobito, Angola. Trabalhou em diversos órgãos de comunicação social, com destaque para a Rádio Clube do Lobito, Rádio Clube do Moxico, Rádio Comercial de Sá da Bandeira, Rádio Clube Português, SIC e TSF. Chegou ainda a trabalhar na rádio brasileira, aquando da Guerra Civil Angolana, durante dois anos.

Em cada relato de Jorge Perestrelo estava garantido espetáculo, pois o locutor punha todas as suas emoções na sua voz e estas, por sua vez, no microfone para Portugal ouvir. O incrível relato entre Portugal e Inglaterra, no Euro 2004, onde era impossível não arrepiar perante os gritos de alegria e felicidade, ao puxar pela seleção nacional, ou mesmo a final da Liga dos Campeões, em Gelsenkirchen, onde o FC Porto derrotou o Mónaco por 3-0, são alguns exemplos dos relatos fantásticos levados a cabo pelo locutor.

Para além dos seus relatos de qualidade, Jorge Perestrelo deixou ainda algumas frases muito características do fervor e da paixão que tinha pelo seu trabalho. "Ripa na rapaqueca", "Eu chegava ali com a minha barreguinha e faturava", "Pegou nas orelhas da redondinha" ou "É disto que o meu povo gosta" são alguns dos exemplos das referidas frases. #Personalidades