"Esqueceram-se de referir que a Direcção não quer subir de divisão!". É um dos muitos comentários poveiros perante o comunicado do presidente varzinista sobre a dispensa de Vítor Paneira. Depois de impressionar durante toda a temporada, uma derrota bastou para que levasse mais um soco imprevisto, aos quais já se vai habituando.

Adepto da forma de trabalhar de Jorge Jesus, e com um balanço em tudo igual à primeira década do técnico benfiquista, é ainda uma incógnita se Vítor Paneira conseguirá superar-se, para um dia chegar onde parece que não querem deixá-lo chegar.

Serzedelo/Ribeirão

Em 2002 estreia-se oficialmente como treinador, orientando o Serzedelo, na III Divisão. Poucos meses depois, durante uma expulsão, alguns familiares de Vítor Paneira vêem-se envolvidos numa confusão nas bancadas, o que motivou o técnico a saltar os gradeamentos para proteger o pai e os seus filhos. Como balanço final, três pontos na cabeça saturada de um sobrinho, e Vítor Paneira pede demissão. Na época seguinte vai para o Ribeirão, também da III, e consegue a sua primeira subida de divisão, e o primeiro titulo de campeão.

Moreirense

Depois de subir o Ribeirão de divisão, Vítor Paneira ocupa o lugar de Jorge Jesus no Moreirense. O objectivo era o regresso à liga principal, mas ao fim de algumas jornadas o presidente decide dispensar o técnico famalicense, perante espanto geral. Nesta fase, Paneira parece já atrair decisões estranhas por parte de presidentes. Curiosamente, a equipa de Moreira de Cónegos acabou por descer de divisão.

FC Marco / Vila Meã / Famalicão

Depois de ser dispensado do Moreirense, ainda faz alguns jogos como treinador do Marco, no final da época, e embora tenha conseguido bons resultados, não evitou a despromoção. Na época seguinte abraça o Vila Meã, na II divisão B, e volta a descer de divisão. Caído em desgraça, com duas despromoções consecutivas, onde até conseguiu mais vitórias do que derrotas, Vítor Paneira pega num humilhado FC Famalicão nas regionais, onde mostra um futebol atractivo e sem receio, acabando por levar os famalicenses de novo aos campeonatos nacionais. Segunda subida de divisão na carreira..

Boavista/Gondomar

Saído de Famalicão com novas polémicas com a direcção à mistura, Paneira assina a meio da época com um Boavista aflito na II B. Com o famalicense ao comando, o Boavista trepa na tabela, e termina nos lugares cimeiros. Depois de alguns problemas num jogo onde se envolveu em confrontos com um árbitro e com a claque da equipa adversária, Paneira deixou os axadrezados e assinou com o Gondomar, ficando a 6 pontos da subida à II Liga, consolidando toda a confiança de um técnico de sucesso.

Tondela/Varzim

Em 2011 começa uma nova etapa no Tondela, e consegue a tão desejada promoção à II Liga. Segue-se nova temporada ao comando dos tondelenses, com boas exibições, terminando nos lugares cimeiros. 2013 volta a ser ano de obstáculo caricato na carreira do treinador, ao ser despedido sem que se perceba muito bem o motivo.

Em 2014, o histórico Varzim SC já ia a meio do campeonato de manutenção do CNS, e não tinha qualquer vitória, estando perto da descida. Paneira chegou, venceu o que tinha de vencer, e conseguiu a manutenção, havendo quase um choque térmico na qualidade da equipa. Esta época, e depois de quase 30 jogos de alta qualidade, duas derrotas com rivais directos levaram a que o Varzim terminasse contrato com o famalicense, para insatisfação de muitos associados da equipa poveira, e do próprio Paneira, que continua a levar gancho atrás de gancho, quando menos espera, mas sem nunca ter o "levantar" como problema. #Campeonato Nacional de Séniores