Felizmente para Florentino Pérez, a época já terminou. Agora chega o Verão e, com ele, as contratações que vão renovar as ilusões dos adeptos do #Real Madrid e ajudar a silenciar o crescente movimento de contestação à gestão do presidente branco. É certo que o dirigente continua a merecer a confiança da maioria dos sócios, mas depois de uma temporada para esquecer, não é de estranhar que surjam vozes críticas nos corredores do Santiago Bernabéu.

O que já é mais estranho é que a oposição ao líder merengue se centre não na prestação desportiva da equipa de Cristiano Ronaldo, mas sim em argumentos de índole disciplinar, social e até sentimental. O mais recente episódio a despertar a ira de alguns opositores aconteceu no domingo, num jogo de veteranos entre o Real e o Liverpool, quando alguns adeptos foram expulsos do estádio, alegadamente, por terem pedido a demissão do presidente.

A história vem no diário As e recua até ao motivo, ou um deles, da saída de Carlo Ancelotti. "O presidente do Madrid contou aos seus colegas de direcção que Ancelotti não tinha tratado bem Gareth Bale, 'um jogador estratégico para nós'. 'Uma vez substituiu-o e eu censurei-o, mas Carlo não entendeu. Desde então perdeu a minha confiança'", refere o texto. Essa censura aconteceu após o galês ter sido substituído no minuto 71 do jogo contra o Valência, em Mestalla. Fontes próximas do balneário contam que Florentino terá dito a Carletto algo do género: "tirar o Bale é atacar-me a mim". Duras palavras para com o treinador que deu ao clube a tão ambicionada Décima (Liga dos Campeões) e que é visto como um gentleman, que não tem problemas com ninguém. Apenas por ter substituído um jogador a 20 minutos do fim.

Esta situação, além de ter revelado o lado menos agradável do dirigente, também terá suscitado dúvidas noutros jogadores de peso no plantel, como Cristiano Ronaldo, Iker Casillas ou Sergio Ramos, que nunca foram tão acerrimamente defendidos por Florentino Pérez. Por outro lado, os adeptos do Real também não gostaram que o presidente tenha acabado com o tradicional Troféu Santiago Bernabéu, que se disputava na pré-época. Em vez disso, o clube organiza digressões do outro lado do mundo (China, Austrália, Estados Unidos…). Quase sempre na sombra da ACS - uma empresa de construção e engenharia civil que é, também, presidida por Florentino Pérez.

A tensão instalou-se no Santiago Bernabéu e os confrontos acontecem mesmo quando menos se espera. Foi assim no Corazón Match, um jogo de beneficência cujos fundos angariados serão utilizados pela Fundação Real Madrid e a Cruz Vermelha em projectos de apoio a crianças. O Real Madrid defrontou o Liverpool, em equipas de velhas glórias, e recuperou de um 0-2 para ganhar por 4-2, com golos de Kewell e Owen para os Reds e de Roberto Carlos (2), Amavisca e Iván Pérez para os locais. Mas, mesmo neste ambiente aparentemente mais desanuviado, alguns adeptos quiseram demonstrar o seu descontentamento com a gestão presidencial, exibindo cartazes com críticas e lançando alguns (tímidos) cânticos de "Florentino demissão", rapidamente silenciados pelos restantes espectadores. Essa atitude levou à presença de numerosos agentes de segurança privada que expulsaram do estádio os "desordeiros". Alguns deles publicaram no Twitter fotos do sucedido, acompanhadas da hashtag #FlorentinoDimision, e lamentaram o "mau trato" aos sócios por parte do presidente.