As sedes da #FIFA e da UEFA, ambas na Suíça, estão separadas por pouco mais de 250 quilómetros. A distância que separa as duas instituições é, contudo, muito maior. A organização que tutela o #Futebol europeu foi a principal opositora de Sepp Blatter na corrida ao quinto mandato à frente dos destinos da FIFA, que o suíço garantiu nas eleições da passada sexta-feira. O organismo presidido por Michel Platini apoiou os três concorrentes de Blatter, incluindo o príncipe Ali bin al Hussein, o único que se manteve na corrida até ao final. Foi da Europa que chegaram também os mais veementes apelos a mudanças na FIFA após o eclodir do escândalo das investigações das autoridades norte-americanas e suíças às alegações de corrupção massiva e sistemática na instituição.

A UEFA vai discutir com as suas federações-membro o próximo passo a dar numa reunião extraordinária a realizar esta semana em Berlim. A "bomba atómica", que Platini não excluiu, seria a saída da UEFA da FIFA. O que levanta uma questão: Como seria a FIFA sem a UEFA?

A UEFA é a mais importante das confederações regionais que compõem a FIFA. É na Europa que se realizam os jogos com mais audiências e a principal competição de clubes do mundo, a Liga dos Campeões. As ligas europeias são o destino de sonho para jogadores de todo o mundo e são do Velho Continente quatro dos últimos cinco campeões mundiais - Alemanha, Espanha, Itália e França. No entanto, em termos de votos na FIFA, a UEFA "vale" apenas 53 votos, num total de 209.

"A UEFA tem os maiores clubes e os mais ricos. Se tens a melhor competição, tens os melhores jogadores", disse Blatter. "Mas no que diz respeito aos clubes, se não tivessem jogadores de outros continentes, não seriam tão ricos ou tão bons", alertou. Por outras palavras, Blatter considera que a UEFA é a "montra" do futebol mundial. Quem iria ver Messi ou Ronaldo num Campeonato do Mundo se nunca os tivesse visto jogar (e encantar) no Barcelona e no Real Madrid?

A relação entre a FIFA e as confederações é complexa. Às vezes, parece reduzir-se à relação entre Blatter e os respectivos presidentes. Estes têm lugar no comité executivo da organização mas, como não são presidentes de nenhuma federação nacional, não têm direito a voto. Por isso, usam a sua influência para apelar aos seus membros para votarem em bloco num candidato. O único que usou essa influência para desafiar Blatter foi Platini, antigo aliado do suíço. Os dois desentenderam-se em 2011, quando Blatter mudou de ideias e decidiu concorrer a um quinto mandato. Na altura, Platini era visto como o seu sucessor natural.

Apesar de parecer que a UEFA está unida contra Blatter, há alguns dissidentes. Angel Maria Villar, presidente da Real Federação Espanhola de Futebol, e Noël Le Graët, seu congénere francês, terão apoiado o suíço. A França vai receber o Mundial Feminino em 2019. E depois há a Rússia. As autoridades norte-americanas defenderam que o país deveria ficar sem o Mundial de 2018 na sequência do conflito com a Ucrânia. Tal como Blatter, também o Presidente russo, Vladimir Putin, criticou a investigação à FIFA, acusando os Estados Unidos de agirem para lá da sua jurisdição.

Depois de ter sido reeleito, Blatter "atirou-se" à UEFA, lembrando que a Europa é o continente com mais equipas representadas nos Mundiais. Há anos que Blatter ameaça ceder alguns desses lugares a países de África, Ásia e Oceânia, os seus principais apoiantes. Agora que a "resistência" se prepara a reunião de Berlim, Blatter espera que a UEFA recue e aceite a sua presidência por mais quatro anos.