A revista France Football, referência do desporto-rei, traz esta semana na capa um debate cada vez mais frequente no mundo da bola, graças ao incrível momento de boa forma do astro argentino do Barcelona: "É Messi melhor que Pelé?". "Quando Lionel Messi se dirige para a conquista da sua quarta Liga dos Campeões, este sábado em Berlim, as suas estatísticas e o seu impacto impõem a comparação com aquele que foi sempre considerado o melhor jogador de todos os tempos, o Rei Pelé", atira a publicação, que ilustra a primeira página com La Pulga e Edson Arantes do Nascimento. A revista - que evita a comparação entre Messi e Maradona - reconhece que comparar o jogador culé com Pelé é semelhante a equiparar Elvis Presley a Mozart, na música, ou Rembrandt a Dalí, na pintura.

Desde a estreia de Pelé no Brasil, em 1956, à de Messi em Espanha, em 2004, quase nada é igual. O mundo mudou política, social e economicamente" entre as carreiras do Rei, que jogou até aos 35 anos no Santos e a partir da daí no Cosmos, nos Estados Unidos, e a do argentino, que chegou ao Velho Continente há 13 anos e se adaptou à cultura europeia. "O #Futebol também é muito diferente" e "a protecção, a imparcialidade das arbitragens e a segurança de que beneficiam os avançados modernos é de um contraste absoluto comparado com os actos de violência e de anti-futebol que manchavam os terrenos de jogo no tempo de Pelé", diz a revista.

Apesar de tudo, há dados comparáveis, como os golos. Pelé marcou 1.281 em duas décadas de carreira. Em jogos oficiais, a estrela brasileira assinou 784 tentos. Messi, por seu lado, alcançou já os 500 remates certeiros com o Barça e a selecçao alviceleste, em 11 temporadas profissionais. O brasileiro começou a jogar mais jovem e aos 20 anos já somava 300 golos. No que diz respeito ao recorde de golos numa época, o máximo de Pelé foi de 66 em 1956, enquanto o argentino somou 91 em 2012.

A grande diferença entre os dois, segundo a France Football, está no facto de Pelé ficar para sempre ligado aos Campeonatos do Mundo: o de 1958, que disputou com 17 anos e onde anotou dois golos na final, o de 1962 e, "sobretudo, o de 1970, no qual inaugurou o marcador na final". Já o argentino tem sido mais modesto neste particular: "o primeiro Mundial disputado por Messi ficou-se por uma amarga desilusão", após a final perdida contra a Alemanha, no Brasil.

Esses títulos mundiais, somados aos troféus nacionais e às duas Taças dos Libertadores e outras tantas Intercontinentais, fazem com que o palmarés de Pelé brilhe mais do que o de Messi, que tem três Ligas dos Campeões, duas Supertaças Europeias, dois Mundiais de Clubes, sete Ligas Espanholas, três Taças do Rei e seis Supertaças de Espanha.

Quando ao estilo de jogo, Pelé representa "a perfeição", ao passo que Messi encarna "a magia". O repertório técnico, a condição física e a leitura táctica do brasileiro eram quase insuperáveis. "Messi também é um extraterrestre, um mago, um génio puro. O seu futebol respira ao mesmo tempo alegria, inteligência e simplicidade, mas o seu estilo é ligeiramente diferente, menos felino e talvez um pouco menos imaginativo e colectivo", analisa a publicação.

Ambos enfrentaram rivais históricos, curiosamente portugueses - Eusébio e Cristiano Ronaldo - e foram contemporâneos de excelentes jogadores, como Xavi, Iniesta ou Neymar, no caso do argentino, e Di Stefano, Puskas, Cruyff ou Beckenbauer, no do brasileiro. Como conclusão, a revista afirma que se trata de "um assunto puramente geracional", cuja resposta depende da idade de quem emite o juízo.