O Valência contratou o lateral português João Cancelo por 15 milhões de euros. Mas a quem? É essa a questão colocada pela rádio espanhola Cadena Ser depois de ter ouvido as versões do clube Che e do #Benfica sobre a propriedade do jogador, que se tornou no defesa mais caro da história do emblema valenciano. Benfica não comunicou negócio à CMVM.

Vamos por partes. Em Agosto de 2014, Amadeo Salvo, presidente do Valência, apresentava o futebolista, que chegava emprestado pelos encarnados por uma temporada. O dirigente anunciou também as intenções do clube em relação ao jovem jogador e, sobretudo, deixou uma frase que se tornaria muito importante quase um ano depois: "Trata-se de um jogador que vem cedido pelo Benfica mas é propriedade da Meriton, tal como Rodrigo e André Gomes. No momento em que se concretizar a compra [do Valência por parte de Peter Lim], a propriedade do jogador passará para o Valência, portanto, praticamente podemos dizer que é um jogador do Valência".

O anúncio da compra do defesa só chegou quase um ano depois, no passado dia 25 de Maio. Tal como tinha acontecido com André Gomes e Rodrigo, o Valência anunciou o negócio referindo um "acordo de compra" alcançado com o Benfica. No entanto, o clube lisboeta não comunicou a venda de João Cancelo à Comissão de Mercados e Valores Mobiliários (CMVM), ao contrário do que fez em relação ao médio e ao avançado. Nesses dois casos, os bicampeões comunicaram que o dinheiro desembolsado pelo Valência passou directamente para a Meriton. Fontes oficiais dos encarnados ouvidas pela Cadena Ser negam ter transferido os direitos económicos de Cancelo à sociedade de capitais liderada por Peter Lim.

Por estar cotado em bolsa, o Benfica tem obrigação de comunicar as transacções à CMVM. No entanto, o clube explicou à emissora espanhola que se a contratação não superar os cinco por cento do capital social total do clube, esse anúncio não é necessário. A verdade, contudo, é que o emblema da águia fez a comunicação à CMVM da venda de André Gomes, que deixou a Luz exactamente pelo mesmo valor: 15 milhões de euros.

A única certeza é que dos cofres de Mestalla saíram já 85 milhões de euros para pagar jogadores que na época passada jogavam no Benfica. Valores que, nalguns casos, como os de Rodrigo ou João Cancelo, se situam acima do valor de mercado, ao contrário de outros, como André Gomes. Mas voltemos às palavras de Amadeo Salvo há um ano. O que é que ele disse? Que o Valência não ia pagar Rodrigo nem André Gomes: "O Valência não vai pagar porque a Meriton já pagou e a Meriton é a dona do Valência". #Mercado de Transferências