Quando muitos esperavam ver os dragões arredados da corrida pelo título, o FC Porto foi vencer à Luz por 1-2. A equipa da casa até marcou primeiro, por intermédio de Mitroglou. Herrera, na primeira parte, e Aboubakar, na segunda, viraram o resultado a favor dos azuis e brancos. 

As atenções dos adeptos portistas viraram-se, sobretudo, para Maxi Pereira, que regressava à Luz na condição de adversário, e para Casillas. O ex-guardião do Real Madrid fez uma das melhores exibições de dragão ao peito e impediu o #Benfica de marcar em várias ocasiões. 

Mas entre os heróis da noite surgiu um nome improvável: Chidozie Awaziem. O jovem central, que se estreou na Liga em pleno Estádio da Luz, não tremeu nem acusou a pressão e foi mesmo considerado por alguns como um dos melhores em campo. 

Pouco se sabe sobre a história deste nigeriano de apenas 19 anos. Está no FC Porto por empréstimo do El-Kameni, clube da Premier League nigeriana. Veio para jogar no segundo ano de juniores, mas tem alternado com a equipa B, onde já leva 23 jogos e um golo marcado. Pela equipa principal cumpriu os 90 minutos na derrota frente ao Feirense, para a Taça da Liga - um jogo que serviu apenas para cumprir calendário, uma vez que o FC Porto já estava eliminado. 

Ora, se Chidozie já tinha convencido os responsáveis da SAD portista a exercer a opção de compra junto do El-Kameni, a exibição do nigeriano na Luz só irá reforçar essa intenção. Chidozie é, segundo o zerozero.pt, o segundo nigeriano a representar o FC Porto na Liga em toda a história do clube e o central mais novo a estrear-se pelo clube num clássico contra o Benfica nos últimos 74 anos.

O percurso

Mas vamos então contar a história que leva o defesa - que também pode jogar a médio-defensivo - a um dos maiores palcos do futebol nacional. 

Em janeiro o FC Porto cedeu Lichnovsky, o quarto central do plantel principal - e que alinhava também pela B - ao Sporting Gijón, de Espanha. Apesar dos muitos pedidos para que fosse substituído - até porque os três centrais titulares, Maicon, Marcano e Indi, têm deixado muito a desejar esta época -, o trabalho da SAD no mercado resumiu-se a Suk, Marega e José Sá. Dois avançados e um guarda-redes, portanto. Chidozie foi, então, o escolhido para começar a treinar com a equipa principal, ficando de prevenção para ser chamado, mas podendo continuar a alinhar pela equipa B como até aqui.

O que ninguém esperava era que, logo no início de fevereiro, Maicon, capitão do FC Porto na derrota caseira frente ao Arouca, abandonasse o jogo, alegando uma lesão, minutos após um erro que deu origem ao golo da vitória da turma de Lito Vidigal. A atitude do brasileiro colocou em sério risco a sua continuidade no clube e, nesta fase, ainda é incerto perceber se Maicon vai voltar a vestir a camisola azul e branca. Por enquanto, o clube alega que tem estado a fazer tratamento e recuperação de lesão.

Sobravam então Marcano e Indi. Quando, dois dias antes do clássico, o espanhol ficou de fora da convocatória devido a uma distensão muscular, soaram todos os alarmes no Dragão. De repente, era Indi e Chidozie. A outra opção de José Peseiro era fazer recuar Danilo Pereira, mais experiente, para central, fazendo jogar Rúben Neves na posição de médio-defensivo. Mas frente a uma equipa com o caudal ofensivo como o Benfica, Rúben parecia curto, já que fisicamente não é tão forte como Danilo. Peseiro decidiu - e bem - que só tendo um "tampão" eficaz no miolo poderia travar o ímpeto ofensivo dos pupilos de Rui Vitória. Danilo manteve-se no lugar, Rúben ficou no banco e Chidozie fez mesmo a sua estreia e brilhou.

Chidozie não está inscrito para jogar nas competições europeias. Marcano e Maicon continuam de fora e o Borussia de Dortmund está aí à porta. E agora, o que será do FC Porto sem este surpreendente central no regresso da Liga Europa? #F.C.Porto #Primeira Liga Portuguesa