Foi a 1 de julho de 2015, ou seja, há mais de um ano, que o #Benfica anunciou a contratação de Francisco Vera González, avançado paraguaio de 21 anos. O craque do Rubio Ñu custou aos cofres da Luz 2,8 milhões de euros, um valor considerado astronómico para a realidade do futebol paraguaio, uma vez que, na mesma altura, o Cerro Porteño venceu o credenciado e internacional paraguaio Almirón, ao Lanús, da Argentina, por quase metade do preço.

Feita a contratação, Vera González começou a trabalhar no Seixal mas, durante toda a temporada, não somou qualquer minuto pela equipa principal. Ao serviço da equipa B, o avançado paraguaio somou 16 presenças, com apenas um golo marcado.

Um ano volvido, Vera González regressou ao Paraguai neste verão e... retirou-se do #Futebol! Atualmente, segundo a imprensa paraguaia, o antigo avançado, de apenas 21 anos, abriu uma loja de artigos desportivos, em Ciudad del Este. A história e os seus contornos estão a ser divulgados no jornal Hoy.

O contrato entre o #Benfica e o avançado acabou por ser divulgado pela famosa página de internet, o 'Football Leaks'. Aí, pode ler-se que, a 15 de abril de 2015, o #Benfica pagou uma soma de 140 mil dólares americanos, através de transferência bancária, ao Rubio Ñú.

No final desse mesmo mês, o #Benfica transferiu outros 900 mil dólares. Após a receção do certificado internacional, que aconteceu já em junho, os encarnados pagaram outros 100 mil dólares. Mais tarde, em outubro, o #Benfica pagou a última tranche, no valor de 500 mil dólares. Ou seja, no final, o Rubio Ñú recebeu 1.640 milhões de dólares, em 2015. Já este ano, o #Benfica pagou outras duas prestações de 500 mil dólares cada uma: a primeira a 30 de abril de 2016, a segunda no passado mês de julho. A terceira e última, para completar os 3140 milhões de dólares, correspondendo aos 2.8 milhões de euros, será paga apenas a 30 de dezembro.

No mesmo contrato, agora divulgado, existem cláusulas onde o #Benfica, caso não cumpre os prazos das prestações, seja obrigado a pagar 100 mil dólares por cada atraso.

Além da estranheza por um dos jogadores mais caros da história do futebol paraguaio ter terminado a carreira após uma época na Europa, está agora, segundo a investigação, o facto do Rubio Ñú não ter declarado um único guarani da soma já recebida. Segundo a Secretaria de Tributação, e fazendo a conversão para a moeda local, o emblema que vendeu Vera González devia ter declarado 9.183.000.000 guaranis. Só em impostos, as finanças paraguaias receberiam 900 milhões.

Neste momento, após vários contratos dados a conhecer pelo site ´Football Leaks´, o Paraguai encontra-se assinalado como um dos países altamente suspeitos de práticas de lavagem de dinheiro através de transferências no futebol.

Face a estes casos, o deputado Édgar Acosta apresentou, em 2015, um projeto-lei que pretendia modificar os artigos 13º, 24º, 25º e 28º da Lei Nº 1015/97, que regula as funções da Secretaria de Prevenção de Lavagem de Dinheiro (Seprelad). No fundo, a proposta visava obrigar bancos e financiadoras, que trabalhem com clubes de futebol, a informar sempre que o volume de negócios de uma determinada entidade ultrapassasse os 10 milhões de dólares.

O exemplo mexicano... e o FC Porto

No passado mês de março deste ano, uma investigação jornalística nos mesmos moldes da apresentada agora no Paraguai, mas realizada no México, pela publicação 'Aristegui Notícias', expôs o caso do aparecimento do Cartel de Juárez no mundo do futebol. Através de uma empresa fantasma, o cartel de droga branqueava os seus ganhos na liga mexicana. 

O Grupo Comercializador Cónclave, parte do cartel da droga, geriu num período entre julho e dezembro de 2012 os passes de Diego Reyes, Jackson Martínez e Hector Quiñones, todos eles, na altura, ao serviço do FC Porto. 

A operação, segundo a versão de Aristegui, significou a participação de outro grupo "Northfield Sports", que permitiu o branqueamento e saída do México de pelo menos 10 milhões de dólares (9.092.320 euros). #Crime