A Premier League, ao longo dos anos, mesmo com mudanças significativas no estilo de futebol - a globalização trouxe novos conceitos -, foi sempre reconhecida por ser uma liga em que a intensidade e o ritmo dos jogos superavam todos os restantes campeonatos. Esta Liga não será excepção. E no primeiro #Derby de Manchester entre Mourinho e Guardiola ficou bem patente que a maior consistência e inteligência na gestão dos ritmos por parte do City fez toda a diferença. Para o United de Mourinho, a 2.ª parte deu pistas sobre o melhor plano táctico para a equipa. 

O histórico entre os dois treinadores não dava lugar a surpresas quanto ao rumo inicial do encontro. Um City, comandado pelo espanhol, com mais bola - mesmo jogando em Old Trafford -, com o domínio territorial e o United, orientado pelo português, mais em organização defensiva, procurando depois a profundidade, aproveitando a velocidade dos homens da frente e a presença física de Ibrahimovic. O jogo começou assim mesmo.

Porém, para preocupação e alguma consternação dos adeptos presentes no estádio, o domínio do City durante 44 minutos chegou a ser asfixiante, tendo o marcador chegado aos 2-0 com golos de Kevin De Bruyne (15 minutos) e Kelechi Iheanacho (36 minutos). O City dominava, como se esperava, mas o United, pelo contrário, mostrava-se impotente para responder a esse domínio, mostrando muita desorientação táctica e falhas de concentração que o City soube aproveitar em duas ocasiões. É claro que, no meio disto tudo, Silva e De Bruyne espalhavam classe e levavam o jogo da sua equipa para onde queriam.

Mas eis que chega o minuto 44. Claudio Bravo, o eleito de Guardiola para defender a baliza dos citizens, cometeu uma fífia numa saída a um cruzamento, e Ibrahimovic, ao seu estilo, aproveitou da melhor forma com um remate de difícil execução, recolocando o United no encontro.

Esse golo acabou por ser uma tónica para o segundo tempo. Mourinho deixou os dois jogadores dos corredores nos balneários e mudou de figurino táctico. Herrera entrou para dar mais liberdade a Pogba e Fellaini, enquanto que Rooney e Rashford tentavam dar a objectividade que tinha faltado à equipa. O United subiu as suas linhas e obrigou o City, durante largos minutos, a jogar um jogo que não é o seu. A capacidade física da linha da frente da equipa de Mourinho serviu para colocar de sobreaviso o Manchester City. Porém, a melhoria do United não teve repercussões, nem em golos, nem em oportunidades claras - os lances de maior perigo surgiram da intranquilidade de Bravo no jogo com os pés. 

Guardiola foi dando consistência à equipa com a entrada de Fernando, e o City, nos últimos 15 minutos, teve novamente o controlo da bola e, consequentemente, do jogo. Para os citizens, esta foi uma prova de fogo superada, em que a equipa mostrou estar num patamar interessante em relação à concorrência. Os jogadores começam a interpretar as ideias de Guardiola e o futebol da equipa flui com naturalidade. Para Mourinho, as ideias ainda não estão bem presentes e a equipa ainda não tem um modelo definido - veja-se a indefinição táctica da equipa durante o encontro. A qualidade individual está bem presente, porém, falta dar um sentido colectivo. Falta uma maior consistência.  #MourinhovsGuardiola #Premier League