A Associação Académica de Coimbra completou no passado dia 3 de novembro 130 anos de existência! É o clube mais antigo do #Futebol português, e um dos mais antigos do mundo. A "Briosa", nome como é popularmente designado, é um dos clubes mais acarinhados em Portugal e é uma referência incontornável do desporto, e até mesmo da história política e social de Portugal! Damos a conhecer-lhe grandes feitos futebolísticos, sociais e culturais deste grande clube português, que atualmente disputa a II Liga.

O clube dos estudantes

A Académica tem uma clara ligação à comunidade estudantil de Coimbra. De acordo com o site da Académica, "o seu primeiro presidente foi António Luiz Gomes, estudante de Direito que mais tarde se tornaria reitor da Universidade de Coimbra".

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O símbolo da Académica tem uma referência gráfica à Universidade de Coimbra (a torre da Universidade). Durante muitas épocas, antes do profissionalismo, os jogadores que representavam a Académica eram estudantes de Coimbra. Grandes nomes do futebol português jogaram aqui como Toni, Artur Jorge ou Álvaro Magalhães. Havia um compromisso: a Académica pagava os estudos, e os atletas representavam o clube. Hoje em dia, essa tradição praticamente não existe. Os jogadores do clube são profissionais e vêm para Coimbra com o objetivo principal para jogar. Mas existem casos pontuais, em que os atletas também são estudantes universitários. E quanto aos adeptos, os estudantes são incentivados a torcer pela Académica.

Venceu duas Taças de Portugal

A 25 de junho de 1939, no Campo das Salésias, em Lisboa, a Académica derrotava o Benfica, por 4-3.

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A primeira edição da prova ia para Coimbra. Na época, à exceção da final, todas as eliminatórias foram a duas mãos. A "Briosa" eliminara antes o Sporting da Covilhã, o Sporting, e o Académico. Depois de várias finais perdidas, a Académica, surpreendente chega a mais uma final, em 2012, defrontando no Jamor o Sporting. Um grande número de adeptos da Briosa fez questão deassistir a este momento histórico. Cédric e Adrien, hoje jogadores fulcrais na seleção, atuavam com a camisola preta, frente ao clube detentor do seu passe. Pedro Emanuel era o treinador. Marinho fez um golo de cabeça para a Académica, logo aos 4 minutos, que levou ao delírio os milhares de adeptos. O jogo acabou, com 1-0. Era o despertar de um Histórico adormecido, seguindo-se festa de arromba no Jamor e em Coimbra. Quanto a Marinho, o autor do golo, mantém-se na Académica e é um nome obviamente muito acarinhado entre os adeptos da Académica, e que ficará para sempre na história do clube, e na história do futebol português.

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Acaba de atingir a marca dos 200 jogos com a camisola dos estudantes.

1966/67: o campeonato quase rumou a Coimbra

Em plena década de 60, o Benfica dominava o futebol português e já tinha conquistado duas Taças dos Campeões Europeus. Eusébio, um dos maiores craques de sempre do futebol mundial, era a estrela maior de um Benfica quase imparável. Era natural que, em 1966/1967, fosse um campeonato ganho sem grande dificuldade... ou quanto muito, esperava-se que tivesse o seu rival direto, o Sporting a dar luta (numa época em que o FC Porto vivia a sua maior ). Da Académica, uma equipa com história, habituada a ter bons jogadores, esperava-se que pudesse fazer um bom campeonato, mas nunca se imaginou que chegasse ao nível que chegou. A Académica sagrou-se vice-campeã, com 40 pontos...a apenas 3 pontos do campeão Benfica! Naquele que foi considerado o jogo do título, em março de 1967, perante 43.000 pessoas no Estádio de Coimbra, a Académica perdeu 1-0 com o Benfica, jogando grande parte do jogo só com 10 homens (não pode substituir o seu atleta que se lesionou, Curado). A equipa da Luz teve que sofrer muito para conquistar o título. O treinador da Briosa era o Sr. Mário Wilson, um homem que foi uma grande referência como jogador, e depois como treinador da Académica, e que também orientou com muito sucesso o Benfica (dois clubes de que, aliás, Mário Wilson fez sempre questão de dizer que era fã incondicional). Para além disso a equipa foi ao Jamor, defrontar o Vitória de Setúbal, para disputar mais uma final da Taça de Portugal (a vitória sorriu aos Sadinos).

A final da taça de 1969

Benfica e Académica encontraram-se uma vez mais na final prova rainha do futebol português. Os encarnados venceram o jogo (2-1, após prolongamento). Mas desta vez foi muito mais que um jogo. Estávamos em plena época da chamada crise estudantil. Os estudantes de Coimbra contestavam o regime ditatorial, queriam outro rumo para o país. Este jogo foi o palco ideal, sendo na capital, para fazer chegar os protestos a Lisboa. Durante o encontro, e contando também com o apoio de adeptos do Benfica, "Os estudantes levantaram os cartazes e o resto do estádio finalmente percebeu que estava num comício contra o Regime. Palavras de ordem surgiram nas bancadas para todos lerem: «Melhor ensino, menos polícias», «Estão 36 estudantes presos», «Estudantes Unidos por Coimbra», «Universidade Livre", refere o site zerozero.

As noites mágicas na Europa

A Académica participou 4 vezes nas competições europeias, e curiosamente em 4 competições com nomes diferentes. A primeira participação foi em 1968/69, na Taça das Cidades Com Feira, e foi muito curta. Defrontou o Olympique de Lyon, perdendo 1-0 em França, e vencendo em casa 1-0. A Académica acabou por ser eliminada por um método cruel: o lançamento de moeda ao ar.

Na época seguinte, na Taça das Taças, a Académica fez a sua melhor participação de sempre na Europa. Eliminou o Kupion, Magdeburgo, e caiu frente ao Manchester City (em Inglaterra o jogo terminou empatado a 0, e em Coimbra, após um resultado igual nos 90', o City apontou o golo da vitória no prolongamento).

Em 1970-1971, teve uma participação inglória na Taça UEFA. Foi eliminada na primeira eliminatória, pelos ingleses do Wolverhampton (perdeu os 2 jogos: 3-0 em Inglaterra e 1-4 em Coimbra).

Em 2012713, como consequência da conquista da Taça de Portugal, a Briosa estava de regresso, desta vez para jogar na Liga Europa. Embora não tenha conseguido o apuramento para a fase seguinte, fez uma boa prestação na fase de grupos (somou 5 pontos). E conseguiu uma proeza, que, de tal maneira o seu nome foi falado por toda a Europa: em Coimbra, contra as expetativas, a Académica derrotou o "super-gigante" Atlético Madrid, por 2-0! O Atlético não perdia na Europa há mais de um ano, e tinha vencido a anterior edição desta prova e também a Supertaça Europeia.

O presente é feito de recuperação e de luta pelo regresso ao espaço natural da Briosa: o primeiro escalão do futebol português. #Curiosidades