O dia 7 de Dezembro marca a passagem dos 73 anos do ataque japonês à base da Marinha americana de Pearl Harbor, no Havai, ataque que justificou finalmente a entrada dos Estados Unidos da América na Segunda Guerra Mundial. De facto, o governo de Franklin Delano Roosevelt mantinha uma participação tácita quase desde o início, enviando milhões de toneladas de mantimentos e equipamento militar por mar para suportar os esforços de guerra do Reino Unido, da China, e da União Soviética. Não obstante a perda de vidas humanas causada pela depredação dos submarinos alemães, as famosas Alcateias, e os custos em material, havia uma tendência generalizada entre o público americano para se querer abstrair do conflito ou, então, para apoiar o outro lado, as forças do Eixo.

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Roosevelt sabia que qualquer uma dessas opções seria perigosa a longo prazo para os EUA, e já havia feito compromissos políticos que tornavam o seu afastamento dos Aliados impraticável. Precisava de uma desculpa para conseguir levar os americanos a apoiar uma entrada ao lado dos Aliados no conflito mundial em curso, e o ataque japonês ofereceu-lhe isso mesmo.

Creio que o ataque japonês não surgiu no vácuo. Após o início da industrialização do país no final do Século XIX, o Império do Japão tentou ascender na comunidade política internacional. Conseguiu alguma atenção com a vitória contra o Império Russo na guerra de 1904-1905 que, não obstante, deixara o país na ruína económica. Numa tentativa de cobrir estes problemas, e alimentado pela onda de patriotismo causada pelas vitórias, o governo de Tóquio ocupou diversos territórios na orla do pacífico, como a Coreia, a Manchúria e a Formosa.

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Mais adiante haveria de participar na Primeira Guerra Mundial do lado da Entente, conseguindo assim estender o seu domínio a ilhas da Oceânia que haviam pertencido à Alemanha. Após o Crash da Bolsa de 1929 e a crise económica que se seguiu, o Japão tornou-se mais militarista, a política externa mais agressiva e aliou-se à Alemanha de Hitler e à Itália de Mussolini. O confronto na China agravou-se, o que acabou por colidir com os interesses dos Estados Unidos na Ásia.

Os EUA tinham emergido como uma grande potência mundial no encalço da Grande Guerra. O Crash decerto que afetou a sua economia, mas as medidas impostas por Roosevelt, a guerra na Europa e a venda de produtos militares ajudariam a inverter essa situação. No entanto, o alinhamento dos EUA com o Reino Unido e a França e as atrocidades cometidas pelos japoneses na China tornavam o relacionamento, oficialmente amigável, entre Tóquio e Washington. Roosevelt acabou por aprovar um embargo de produtos essenciais, sobretudo petróleo, de que o Japão carecia.

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As autoridades militares japonesas aperceberam-se que, sem futuras negociações, a única opção que realmente lhes restava era a de reclamar para si os recursos em questão, muitos deles nas mãos dos EUA ou de aliados destes. Para além disso, as vitórias contra a Rússia no início do século convenceram os líderes nipónicos de que conseguiram levar a cabo uma campanha vitoriosa, desde que fosse rápida. E assim se decidiu levar a cabo ataque que Roosevelt alcunhou de infame, a 7 de Dezembro de 1941. #História