Depois da Coreia do Norte ter proibido o acesso à internet nos últimos dias, surge a notícia que o governo chinês decidiu, na passada sexta-feira (26), bloquear por completo o acesso ao Gmail do #Google. "The Great Firewall" (em Português, A Grande Muralha) é considerado como um dos maiores serviços de controlo do tráfego de informação no mundo e é gerido pelo governo chinês. Este sofisticado sistema tem o objectivo de restringir todo o conteúdo considerado " inapropriado" e que seja contra o regime. O Gmail foi a última vítima, mas não é a primeira.

Quem for à China não tem acesso ao Twitter, Facebook, YouTube e agora ao Gmail.

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O regime chinês "semi-democrata", o que apenas será um nome pomposo para justificar o injustificável, considera as redes sociais como um cancro para o regime, limitando assim a liberdade de expressão e de informação. A Google, dona do Gmail, havia, em 2010, mudado os seus servidores para Hong Kong, a fim de evitar a censura que tinham sofrido outras grandes empresas, mas desde Junho deste ano que o acesso ao mais popular serviço de correio electrónico no mundo tinha sofrido constantes interrupções. A interdição total ao serviço deu-se na passada sexta-feira e não voltou a estar disponível até hoje. Se a Google tinha conseguido, até então, evitar a resistência da " Muralha Informática" chinesa, recentemente cedeu à sua força.

As reacções não se fizeram esperar. Vários grupos chineses de defesa da liberdade de expressão e de informação já incitaram o governo chinês a levantar este bloqueio, afirmando que "este está apenas a tentar eliminar a presença do Google na China e enfraquecer o seu poder externo".

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"Imagine se os utilizadores do Gmail não conseguissem contactar os seus clientes chineses. Muitas pessoas teriam que ser forçadas a trocar o Gmail e arranjar outra solução", afirma um membro da organização Greatfire.org, que defende a liberdade de expressão.

O Google e o governo chinês têm vindo a desenvolver um longo historial de confrontação de ideias e valores nos últimos anos. Enquanto um promove a total liberdade de informação, o outro restringe-a. Sempre que surge um conteúdo que é considerado sensível, inapropriado e de cariz político, este não passa e é automaticamente bloqueado. Um país que está em franco crescimento e que, a um curto prazo, arrisca-se a tornar a maior potência económica mundial, defende alguns valores só apoiados pelo seu vizinho norte-coreano. A pressão internacional existe, mas será suficiente para destruir " A Grande Muralha Informática"?