Baseada nas ideias de Mackinder, o Eurasianismo procura estabelecer a identidade tida como ímpar da Rússia, que é distinta da Ocidental e que foca a sua atenção para Sul e Leste, sonhando com uma unificação entre Muçulmanos e Ortodoxos. O maior ideólogo da teoria eurasianista é Aleksandr Dugin, que em 2002 fundou o Partido da Eurásia (alterando mais tarde o nome para Movimento da Eurásia), filho de um Oficial do KGB e de uma médica, Dugin cedo se envolveu na política, tendo obtido o seu primeiro trabalho como arquivista da instituição de onde o pai trabalhava, o que lhe permitiu ter acesso a uma panóplia de livros (proibidos para a população) sobre misticismo, eurasianismo e fascismo. Este movimento é, segundo fontes próximas, financiado e apoiado por Vladimir Putin. 

A Teoria do Eurasianismo defende que a Rússia é claramente não-Europeia e não-Asiática, apesar de o Estado se encontrar no meio de ambos os territórios, uma vez que é um Continente em si mesmo - a Eurásia. Outro ideólogo russo - Trubetskoy - afirma que o substrato nacional do antigo império Russo só pode ser a totalidade dos povos que habitam esse Estado (Rússia), tido como uma nação multiétnica peculiar e que, como tal, possui o seu próprio nacionalismo. Chamando-se a essa nação Eurasiana, o seu território de Eurásia e o seu povo Eurasiano. 

Segundo Dugin, Mackinder demonstrou claramente que, nos últimos séculos, a cultura marítima foi sinónimo do "Atlantismo", personificado nos Estados Unidos e no Reino Unido, defendendo a prioridade do individualismo. Pelo oposto, o Eurasianismo propõe o autoritarismo, a hierarquia e o comunitarismo, colocando o Estado acima dos interesses individuais e económicos, havendo assim espaço ao crescimento da "Teoria da Paixão" que se traduz na capacidade humana de se sacrificar em prol de objectivos ideológicos. E é pela adopção do Eurasianismo que, segundo o ideólogo, a Rússia é uma nação forte com um líder incontestado e incontestável. 

A pergunta que se poderá colocar é: o que será da Rússia no futuro? Será que se transformará num Estado-Nação ou será que o caminho "natural" passará por um Imperialismo Multinacional? Brzezinski responde a estas questões afirmando que a Rússia será ou um Estado Democrático ou um Império...mas nunca as duas ao mesmo tempo. Os acontecimentos recentes do expansionismo Russo só reforçam a ideia  de que a Rússia de hoje debate-se com duas questões antigas: "Quem sou?" e "O que faço aqui?" 

Podemos então concluir que a evolução da Geopolítica Imaginada Russa liga-se á procura de uma identidade pós-soviética e ao seu lugar num mundo pós-queda do Comunismo, que faz com que haja uma abertura e uma vontade de expandir fronteiras - como Pedro, o Grande ou Gengis Khan fizeram. #História