Leelah Alcorn, uma jovem transgénero de 17 anos, morreu a poucos quilómetros da sua casa, em Ohio (Estados Unidos), depois de ter sido atropelada por um tractor-reboque, no passado Domingo, dia 28 de Dezembro. O acidente está a ser investigado pela polícia do estado de Ohio. Os relatórios da polícia confirmaram a morte da adolescente, mas identificaram-na usando o seu nome de nascimento: Joshua Alcorn.

Antes de cometer suicídio, a jovem escreveu um bilhete e agendou-o para aparecer na sua página de Tumblr horas depois da sua morte. No post intitulado "bilhete de suicídio'", Alcorn afirmou que era transexual e se sentia "uma rapariga presa no corpo de um rapaz" desde os seus quatro anos de idade.

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No entanto, nunca contou a ninguém, porque não conhecia o termo "transgénero", nem sabia que era "possível um rapaz tornar-se numa rapariga". A jovem também escreveu nesse bilhete que quando soube aos 14 anos que era possível realizar cirurgia de mudança de sexo "chorou de felicidade". "Depois de 10 anos de confusão finalmente entendi quem eu era", escreveu Leelah.

No seu bilhete de suicídio, a jovem culpa os seus pais cristãos por se recusarem a reconhecer sua identidade de género e não permitirem a sua transição. Alcorn alegou que quando se assumiu para a sua mãe como transgénero, ela respondeu que "Deus não comete erros" e que a sua filha estava errada, palavras que a deixaram com "auto-aversão". Alcorn revelou que os seus pais não lhe deram permissão para a transição medicamente assistida e que "atingiu o fundo do poço".

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Na sua carta, Leelah referiu ainda que a sua mãe a levou a psicólogos cristãos que afirmavam que a jovem era "egoísta, estava errada e que devia aceitar a ajuda de Deus".

A jovem espera que a sua morte possa "significar alguma coisa" para os direitos dos transgéneros. "A única maneira de eu descansar em paz é se um dia as pessoas transexuais forem tratadas como seres humanos, com sentimentos válidos e direitos", afirmou. Leelah deixou ainda a sugestão de que "as questões de género têm de ser ensinadas na escola e quanto mais cedo melhor". A adolescente terminou a nota pedindo que os seus pertences e as suas poupanças fossem doados para o movimento dos direitos dos transexuais.

A mãe de Alcorn fez uma homenagem à sua filha na sua página Facebook na noite de Domingo, contudo usou o nome de nascimento de Leelah e não fez qualquer menção ao suicídio. "O meu querido filho de 17 anos de idade, Joshua Ryan Alcorn, foi para o céu esta manhã. Eu estava fora num passeio matinal e ele foi atropelado por um camião.

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Obrigada pelas mensagens, bondade e preocupação. Por favor, continuem a manter-nos nas vossas orações", escreveu a mãe.

Em declarações ao The Independent, Mara Keisling - directora do National Center for Transgender Equality - afirmou que os "transgéneros que experienciam rejeição por parte da família e amigos estão em maior risco de cometer suicídio". Keisling referiu que "apesar dos grandes avanços culturais e políticos que as pessoas transexuais têm feito, ainda há muito desrespeito, discriminação e violência". A directora deixa uma sugestão: as pessoas podem ajudar a evitar tragédias similares acreditando nos que se identificam como transgéneros.