O Homem tem a sensação de ter ao seu alcance o domínio de todo o mundo. Quer seja através do fogo, do ar, do vento ou da água, o Homem considera ser o ser mais importante. No entanto, por vezes, a #Natureza demonstra que nem sempre temos razão e que, acima de tudo, está ela - a Mãe Natureza. No dia 26 de Dezembro de 2004, em algumas regiões da Ásia, as pessoas passeavam, aproveitavam e desfrutavam de uns curtos dias de descanso a que chamavam "férias". Mas para mais de 220 mil pessoas, esse foi o último dia em que viram a luz do Sol.

Deu-se um terramoto de magnitude 9,1, com epicentro no oceano - provocando posteriormente um tsunami - denominado "o tsunami do Oceano Índico". Com ondas até 20 metros de altura, este afectou cerca de 14 países - Aceh, Indonésia, foi a zona primordialmente atingida e consequentemente a mais devastada, tendo sido registadas cerca de 160 mil mortes nessa zona. O Sri Lanka, a Tailândia e a Índia foram os outros 3 países mais afectados por este que já é considerado o pior desastre natural da história da humanidade.

A Tailândia é, sem explicação, dos locais onde mais pessoas sobreviveram apesar das 200 mil mortes que foram registadas na zona. Dessa forma, nestes dias próximos, são relatadas histórias de vida de crianças, jovens e adultos que sobreviveram a esta catástrofe. Como é o caso de Volnei Llamazalez, natural de São Paulo, no Brasil, que explica o desânimo que sentiu ao aperceber-se que era impotente perante tal acontecimento. Volnei explica que durante os meses que sucederam a tragédia que matou milhares de pessoas, não conseguia adormecer pois revia na mente as crianças que viu a perderam a vida, a irem para dentro de água e não voltarem, ver pessoas a morrer e não as conseguir ajudar". Actualmente, vive na Austrália e ainda hoje, após 10 anos, evita ir à praia ou ver o mar. Na altura da tragédia, Volnei, com 33 anos, apercebeu-se rapidamente do que estava a acontecer e tentou rapidamente fugir. No entanto, a força das águas empurraram-no para uma loja que se encontrava na zona e até os vidros traseiros arrebentaram com tal impacto. Volnei viu pessoas falecerem nessa mesma loja e, por sorte ou milagre, conseguiu subir a um telhado e, assim, sobreviver.

Tal como Volnei, existem outros casos de sobreviventes que hoje recordam os dez anos que já passaram após aquele momento em que a maioria perdeu os pais. Martunis tinha 7 anos quando o tsunami aconteceu. Durante 21 dias caminhou, sozinho, pela praia onde perdeu os pais. Após 3 semanas, o pequeno rapaz foi encontrado com uma camisola da Selecção Portuguesa vestida - "Rui Costa", dizia. Actualmente, o rapaz já com 17 anos, quase na maior idade, diz que quer "viver em Portugal. Sou do Sporting, o clube do Ronaldo."

Hoje, passados 10 anos do tsunami, é tempo de recordar e desejar que, aqueles que partiram, estejam num lugar melhor. A todas as famílias, a todos os amigos, a todos os que viveram esta situação: Força, o dia de amanhã é sempre melhor, nem que seja pelo facto de estarmos vivos.