Informações partilhadas pelo prestigiado jornal aeronáutico Jane's indicam uma oferta do governo de Moscovo para alugar caça-bombardeiros Sukhoi Su-24 (conhecidos na NATO como Fencers) ao governo de Buenos Aires em troca de excedentes alimentares. Já desde o final da Guerra das Malvinas, em 1982, que a Argentina tenta atualizar as potencialidades da sua força aérea, que recebera pesadas baixas às mãos da antiaérea e dos Harriers britânicos. No entanto, o embargo internacional ao armamento e uma já longa crise económica foram impedindo esse objetivo ao longo das décadas, com exceção de algumas atualizações feitas durante os anos de 1990. A ser verdade, esta notícia representaria a possibilidade de os argentinos realmente se equiparem com verdadeiras capacidades de ataque e dissuasão, capazes de colocar em dúvida a atual defesa das ilhas do Atlântico Sul.

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Convém, como sempre nestes casos e até prova em contrário, manter uma perspetiva cética em relação à informação. A verdade é que a Força Aérea Argentina, assim como o resto das forças armadas desse país, está em muito mau estado, curta de dinheiro e com baixos níveis de manutenção. A aeronave principal é o vetusto A-4, um avião de ataque ligeiro concebido nos Estados Unidos durante os anos de 1950. Para além disso, existe ainda uma pequena frota de intercetores franceses Mirage III, todos antiquados e aparentemente sem real capacidade de operar missões de combate. Acima de tudo, serão estes últimos que Buenos Aires quer substituir.

Existiram várias tentativas nesse sentido. Nos últimos dois anos falou-se sequencialmente da possibilidade de a Argentina adquirir os intercetores Mirage F1 que a Força Aérea Espanhola desativou este ano, caça-bombardeiros Kfir que Israel tem em stock, ou mesmo caças ligeiro FC-1 chineses.

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Todas essas tentativas foram canceladas, sobretudo por falta de fundos (embora não se deva descontar também a pressão diplomática britânica). No entanto, o Su-24 seria o candidato mais inesperado da lista. Estes são aviões grandes, de dois motores, feitos para o ataque a baixa altitude e grande velocidade. Não cobririam o vazio deixado pelos Mirage III, mas, por outro lado, criariam uma ameaça bastante real para guarnição britânica nas Malvinas.

Desde a guerra que o Reino Unido tem mantido uma presença militar dissuasora nas ilhas. Atualmente consiste em 1200 militares e quatro caças Typhoon, que serão dos melhores aviões de combate do mundo e teoricamente capazes de lidar com qualquer coisa que a Argentina consiga atirar contra a ilha. Os Su-24s, no entanto, conseguiriam aproximar-se sem serem detetados senão demasiado tarde, diminuindo imensamente a possibilidade de interceção dos mesmos. A ser verdade, esta notícia forçaria Londres a repensar a defesa do arquipélago.

A informação foi, no entanto, recebida com grande ceticismo na Argentina.

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Os 12 a 24 Sukhois aparentemente oferecidos por Moscovo representariam um imenso encargo financeiro em termos de suporte e manutenção, e não se acredita que o país os conseguisse sustentar. Isso traz para a mesa a real possibilidade de tudo isto se tratar de guerra de informação, a tentativa de se desviarem atenções para o Sul, ou de apenas se manter a NATO nervosa.