Esta manhã, pelo menos, seis militantes islamitas atacaram uma escola gerida pelo exército paquistanês em Peshawar, no norte do país. Do tiroteio resultaram mais de 135 mortos, na sua maioria crianças que atendiam às aulas. As forças de segurança paquistanesas reagiram rapidamente, vindas do complexo militar próximo da escola, e segundo fontes oficiais abateram os atacantes, abrindo o caminho para que as equipas de socorro evacuassem as centenas de feridos que resultaram do ataque. A zona ainda está fechada ao público, uma vez que os militares continuam a procurar bombas que possam ter sido deixadas pelos atacantes. O Primeiro-Ministro Nawaz Sharif já se dirigiu ao local para demonstrar apoio às vitimas.

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O ataque foi conduzido por um grupo chamado Tehreek-e-Taliban, e faz parte de um conjunto de organizações que tentam depor o governo paquistanês. Apesar de serem conhecidas motivações ideológicas por parte destes grupos em relação a ataques a escolas (diversos grupos islamitas consideram o ensino não-religioso como sendo uma forma de envenenamento espiritual) neste caso as motivações serão sobretudo uma forma de retaliação ao ataque em grande escala que o exército paquistanês lançou contra os grupos rebeldes no norte do país a meio deste ano e que ainda decorre.

No passado o governo paquistanês foi acusado de apoiar grupos terroristas como modo de obter nivelamento político, inclusive contra aliados. O abrigo e proteção que davam a Osama Bin Laden trouxe esta realidade a público, e é certo que a região, tradicionalmente tribal, é muito fragmentada, divisões essas que verteram para o próprio governo, com diversas fações a agirem independentemente umas das outras, mesmo em Islamabad.

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A campanha em curso é assim vista como uma forma de Nawaz Sharif aplacar as acusações de falta de credibilidade do seu governo. No entanto levou os guerrilheiros sob ataque a lançar uma série de atentados como aquele desta manhã.

A falta de coesão do Paquistão é olhada com preocupação pela comunidade internacional, e deve ser vista no contexto da situação caótica que se vive no Afeganistão, e da já longa disputa por Caxemira, que envolve a Índia e a China, esta última uma aliada próxima de Islamabad.