É uma das mais sangrentas e chocantes operações dos talibã no Paquistão, que nos habitou a uma série de notícias de ataques, mortes e atentados terroristas. Um comando talibã iludiu a segurança, entrou numa escola da cidade de Peshawar, cidade a cerca de 120 quilómetros da capital Islamabad, e abriu fogo sobre as crianças que lá se encontravam. O estudante de 14 anos Ahmed Faraz, sobrevivente do massacre, contou à estação de televisão CNN que, quando entraram nos corredores da escola depois de terem escalado os muros do estabelecimento, os talibãs gritavam "Deus é grande!", para depois um deles mudar a narrativa para "Muitas das crianças estão escondidas debaixo dos bancos.

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Matem-nas".

O ataque à escola, onde estudavam principalmente filhos de membros do exército paquistanês, terá sido uma retaliação ao avanço das forças militares do país sobre as posições talibã no noroeste, junto à fronteira com o Afeganistão. A escola foi cercada e tomada de assalto cerca de 15 minutos depois do início do tiroteio pelo exército paquistanês, que confinou os atacantes a um conjunto de quatro salas antes de conseguir abatê-los. O balanço final é dos mais trágicos de que há memória: 141 pessoas - 132 crianças e nove funcionários da escola - foram mortas e mais de uma centena ficaram feridas, muitas delas com gravidade. A maioria das vítimas menores tinha entre 12 e 16 anos. Mohammed Khurrassani, porta-voz dos talibãs paquistaneses, revelou que a dada altura o grupo de atacantes teve "300 a 400 pessoas" em seu poder e que o objetivo era eliminar os estudantes mais velhos.

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"Os nossos alvos são escolas porque os militares atacam as nossas famílias", continuou ainda. "Queremos que eles sintam a nossa dor".

Os relatos de quem se encontrava no estabelecimento, no entanto, dão conta de disparos indiscriminados, de espancamentos e mesmo de uma funcionária que terá sido alvejada e depois queimada ainda viva. Ahmed Faraz, o aluno de 14 anos que sobreviveu, foi atingido no ombro esquerdo e lembra os minutos de terror. "Estava no auditório da escola quando quatro ou cinco pessoas irromperam pela porta dos fundos e começaram a disparar imediatamente. Depois de ter sido alvejado, caí e escondi-me debaixo de uma mesa".