Em 2004, o sudoeste asiático era notícia pelos piores motivos. Milhares de pessoas mortas, vítimas do tsunami que invadiu a Tailândia. Hoje, volvidos 10 anos, volta a ser notícia mas por motivos melhores. Christina Fonfe, uma britânica de 65 anos, mudou-se para o Sri Lanka em 2004 para ensinar natação a crianças em áreas rurais.

As imagens exibidas pelos canais de televisão aquando da catástrofe tiveram um forte impacto em si e esta decidiu mudar-se para o continente asiático para ajudar os sobreviventes. Inicialmente foi voluntária numa organização durante 6 semanas e ensinou as crianças que sobreviveram a nadar. Contudo, apercebeu-se que nem estas nem as suas mães sabiam nadar e alterou os seus planos.

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Numa reportagem dada ao jornal El Mundo, Fonfe explicou que decidiu começar pelo princípio: ensinar crianças do sexo feminino a nadar.

Segundo um relatório publicado por Oxfaman, o número de mulheres que morreram no tsunami foi quatro vezes maior que o dos homens - 70% das vítimas foram mulheres e crianças que não sabiam nadar. O relatório mostrou que em oito populações de Aceh - zona da indonésia mais afetada pela catástrofe - 77% dos mortos eram do sexo feminino. Apesar de viverem numa ilha rodeada de água, muitas mulheres não entendem a necessidade de aprenderem a nadar e as crianças nascem com medo da água pelos constantes avisos dos pais para se afastarem da mesma. Christina considera que ao ensinar crianças do sexo feminino fará com que posteriormente estas possam explicar aos seus filhos os princípios básicos para eles não se afogarem.

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A britânica considera que muitas das mortes por afogamento podem ser evitadas com gestos muito simples: saber flutuar e manter o nariz e a boca fora de água. Considera ainda "que algo tão simples como isso deveria ser ensinado a todos" porque apesar de não saberem nadar, se soubessem flutuar "poderiam ter sobrevivido". Christina relata ter encontrado alguns obstáculos nas áreas rurais e costeiras, muitas vezes criados pelas próprias mulheres que não queriam levar a roupa de banho, outras pelos homens a quem era necessário pedir permissão para qualquer actividade e que viam este ensinamento como um capricho. Apesar disso, em março de 2005 as suas primeiras 33 alunas concluíram o curso. Até ao momento, já passaram pelas suas aulas 4000 alunos e formou cerca de 10 professores (quatro são professores da organização no Sri Lanka).

Ao longo destes 10 anos, Christina Fonfe andou de piscina em piscina a dar aulas de natação, tendo nos últimos anos trabalhado numa piscina construída pela ONG local.

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Todas as aulas são gratuitas até se alcançar um determinado nível, porém é pedido a todos os alunos para fazerem uma doação de modo a assegurar a existência do centro e para pagar os professores. As aulas distribuem-se por 3 fases: na primeira pretende-se ensinar a flutuar, na segunda ensina-se a técnica e na terceira fase pretende-se aplicar os ensinamentos em contexto real: no mar.

Christina viveu 6 anos entre o Sri Lanka e o Reino Unido. Em 2010, decidiu mudar-se juntamente com o seu marido para o Sri Lanka. E isto, por uma razão muito simples: "aprender a nadar não deve ser um luxo. É uma habilidade que pode salvar nossa vida". #Educação #Natureza