A notícia que saiu esta semana não é, realmente, uma surpresa, apesar de trazer consigo alguns factos questionáveis. Apesar de outrora ter sido uma vocal defensora da CIA, os serviços secretos dos Estados Unidos, e dos seus métodos para descobrir possíveis ameaças para os interesses de Washington, a Senadora Dianne Feinstein tem entretanto liderado a produção de um relatório com vista a descobrir a real escala do uso de tortura nos interrogatórios de suspeitos de terrorismo. Numa conferência de imprensa feita esta quinta-feira, o director da CIA, John Brennan, admitiu que métodos descritos como "horrendos" foram usados, mas defendeu-os dizendo que os responsáveis apenas cumpriam o seu dever e ajudaram a proteger o país.

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No entanto estas revelações surgem numa altura em que a desconfiança da opinião pública americana em relação aos serviços secretos e os seus reais poderes se torna cada vez maior.

Em termos concretos é preciso admitir que a tortura de prisioneiros por parte da CIA sempre foi algo que se admitia tacitamente por diversos sectores da sociedade americana, e também num panorama global. Desde pelo menos os anos de 1970 que se sabe que a tortura faz parte das estratégias de interrogatório da CIA. No entanto, e após algumas polémicas, diminuiu-se um pouco a admissão de tais práticas, e surgiram programas para as levar para os chamados "locais negros" ou países onde elas seriam efectuadas por terceiros, como a Síria. No entanto o relatório agora trazido a público indica que não apenas as torturas eram feitas, como a escala das mesmas (que incluíam, mas não se limitavam a, violações e homicídios) e respectivas descobertas eram escondidas dos elementos mais altos do governo americano.

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Como estas revelações abre-se mais um brecha na confiança entre a população e o governo, numa altura em que esta está cada vez mais instável, com as críticas à corrupção, à vigilância dos civis por diversas organizações governamentais e a revolta contra as atitudes consideradas racistas da polícia (e inclusive uma certa brutalidade real, durante as manifestações em Ferguson forças policiais mantinham armas de fogo apontadas à população, o que foi visto como repulsivo).

É uma situação que apenas traz mais problemas ao já problemático segundo mandato do Presidente Obama, que se vê debaixo de muitas críticas pela sua aparente incapacidade de resolver alguns dos problemas que se propusera a terminar aquando da sua primeira, e também da segunda, eleição.