Já anteriormente se falou aqui da questão norte-coreana. Desde as trocas de tiros com a Coreia do Sul na tensa fronteira entre ambos os países, até à recente polémica com a Sony sobre o filme "The Interview"(que certas fontes defendem agora não ter envolvido Pyongyang de todo), passando pelas constantes ameaças aos Estados Unidos e aos vizinhos em geral, a Coreia do Norte tornou-se num país minúsculo, de 25 milhões de habitantes, que reverbera grandemente nos media internacionais. Evidentemente que existe um motivo para isso e, a somar às ditas ameaças, temos o facto de que as forças armadas norte-coreanas serão certamente impressionantes no papel, com 1,19 milhões de tropas, segundo as fontes do governo da Coreia do Sul, assim como 1000 mísseis balísticos e ainda bombas atómicas.

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A este arsenal somam-se agora mais 230 aviões de combate, elevando o total da aviação militar norte-coreana para 1580 unidades.

Em termos de guerra convencional será difícil argumentar contra o choque inicial que um ataque de tal força poderia implicar. Isso preocupa os vizinhos e ainda hoje foram tornadas públicas notícias acerca do acordo de partilha, que estará perto de ser finalizado, de informações confidenciais acerca da Coreia do Norte entre a Coreia do Sul, o Japão e os Estados Unidos. Isto é surpreendente em alguns pontos, uma vez que Seul e Tóquio não serão propriamente amigos, havendo disputas territoriais entre ambos os governos, mas também partilham inimigos, sendo Pyongyang o mais abertamente hostil. Isto serviria para melhorar a observação desta força militar considerável e assim manter uma melhor noção das suas capacidades e intenções.

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Com isto dito, contudo, convém ter em conta que o uso de qualquer força militar está intrinsecamente dependente da sua tecnologia, doutrina, logística e comando. E aqui convém não ter reais ilusões. A tecnologia e a doutrina das forças armadas norte-coreanas estão desastrosamente desatualizadas. No que diz respeito ao tema que iniciou este texto, a sua força aérea compõem-se sobretudo de aeronaves antigas, e a maioria dos seus caças são modelos da década de 1950 como MiG-19s e MiG-21s. Mesmo os aparelhos agora adquiridos não serão certamente muito melhores. Isto porque não há economia para mais. A Coreia do Norte é incrivelmente pobre, tem poucas exportações e a maior parte da comida que consome vem de acordos com a China, o seu maior aliado e, surpreenda-se, os Estados Unidos. Em caso de conflito, isto significa que não há logística para suportar uma campanha convencional. Mesmo no estado atual das coisas, não existe capacidade para suportar armamento muito complexo.

Resta a liderança.

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Pouca gente realmente saberá o que sucede nas altas instâncias norte-coreanas, mas a chocante brutalidade do atual líder, Kim Jong-Un, faz com que alguns analistas ponderem uma tentativa de colocar os subordinados na linha e eliminar adversários políticos. A somar a isto existe a retórica extremamente agressiva para com o exterior, mesmo para os padrões norte-coreanos. A possibilidade de uma implosão do regime é preocupante, e mesmo a China parece estar cansada de suportar os seus caprichos. Serão todos estes fatores somados que levaram Pyongyang a investir em bombas atómicas e hackers, pois, verdadeiramente, não terão verdadeiras hipóteses em confrontos localizados e convencionais contra os seus adversários.