As redes de internet e móvel 3G da Coreia do Norte estão em baixo, pela segunda vez em cerca de uma semana. A situação teve início poucas horas depois de um porta-voz do governo norte-coreano ter insultado o presidente Barack Obama, apelidando-o de "macaco" a propósito do apelo ao lançamento do filme The Interview. De acordo com a agência estatal Nova China, da China, os repórteres localizados no país confirmaram a situação utilizando a rede de telefones fixos. A situação prolongou-se por cerca de duas horas, entre as 19h30 e as 21h30 locais de ontem, com os norte-coreanos acusando os Estados Unidos de estarem por trás do que parece ser um novo ataque.


Este é mais um episódio da saga diplomática e cibernética envolvendo o filme The Interview, de Seth Rogen, uma comédia que retrata uma tentativa de assassinato do presidente norte-coreano Kim Jong-Un e uma paródia ao regime norte-coreano e às suas posições políticas. O filme havia sido cancelado depois de a Sony ter sido alvo de um ataque de hackers, ao qual a Coreia do Norte começou por não desmentir a autoria, tendo mais tarde negado a acusação. Sob a ameaça de novos ataques, a Sony começou por retirar o filme mas acabou por fazer o lançamento no dia de Natal, depois de uma reacção generalizada nos Estados Unidos - encabeçada por Barack Obama - exigindo esse lançamento como forma simbólica de defender a liberdade de expressão da chantagem. Divulgado na internet e em algumas salas de cinema americanas, o filme tem sido largamente visionado, embora os críticos o considerem de baixa qualidade.


Não existem, até ao momento, reacções oficiais por parte do governo americano sobre este segundo episódio de falha de rede na Coreia do Norte. De acordo com o jornal Staff da Nova Zelândia, grande parte do acesso norte-coreano à internet é feito através de infra-estrutura da China. Ainda de acordo com este jornal, têm surgido sugestões de que possa ser o governo chinês o responsável pelos problemas de internet da Coreia do Norte, e não os Estados Unidos. Nesta perspectiva, este pode ser um aviso da China ao seu pequeno aliado sobre o seu descontentamento com a postura agressiva e desnecessária, numa questão menor como o lançamento de um filme.