Depois de cerca de 9 horas sem conseguir ligação, as principais páginas de internet norte-coreanas, incluindo o portal da agência estatal de notícias KCNA e do diário Rodong Sinmun, dois dos meios oficiais de Pyongyang, voltaram a estar activas às 10:45 de hoje (01:45 em Lisboa). As suspeitas do "apagão" recaem sobre o FBI, polícia federal norte-americana, pois a desconexão aconteceu alguns dias depois do Presidente dos Estados Unidos ter prometido represálias contra Pyongyang, na sequência do FBI ter acusado a Coreia do Norte de estar por detrás do ciber-ataque contra a Sony Pictures, o mais grave ciber-ataque registado nos Estados Unidos.

Um representante da Coreia do Norte na ONU comentou, em declarações em Nova Iorque a um diário sul-coreano, que a ligação à Internet no seu país "permaneceu instável nas últimas horas e que era impossível conseguir ligação", mas não deu explicações sobre o motivo.

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Conflito cibernético com a Coreia do Norte é 'navegar em águas desconhecidas e perigosas'

"Esteja ou não o Governo dos Estados Unidos por detrás do apagão, a questão é saber se os Norte-Coreanos estão convencidos disso," comentou o especialista e correspondente da CNN para a Ásia, Mike Chinoy. "E a menos que tenham sido eles próprios a fazê-lo - o que não é impossível - irão procurar retaliar," afirmou. "Navega-se por águas perigosamente desconhecidas, onde não há regras estabelecidas, mesmo sabendo que quando existem, as regras nem sempre são respeitadas," explicou Chinoy.

Questionado sobre a possibilidade de haver um escalonar do conflito, Mike Chinoy, autor de um livro sobre o turista americano Merrill Newman, recentemente preso na Coreia do Norte, afirmou que "houve outros incidentes mais graves que não levaram à guerra aberta, mas devemos ter em conta que os títulos da imprensa sobre o ataque cibernético à Sony Pictures, passam por cima do grande plano estratégico da Coreia do Norte a curto e médio prazo: o desenvolvimento de mísseis nucleares de médio e longo alcance.

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O que me preocupa é não falarem disto. Não tendo havido iniciativas diplomáticas para travar os avanços tecnológicos da Coreia do Norte neste campo, eles terão em breve um arsenal nuclear considerável, a capacidade de miniaturizar uma ogiva e um 'sistema de entrega' capaz de atingir o continente americano," explicou Mike Chinoy.

"Julgo que os Norte-Coreanos gostariam de se sentar à mesa de negociações, mas a administração de Obama não parece estar para aí virada," disse ainda o correspondente. "A Coreia do Norte tem a bomba, o Irão ainda não, e Pyongyang utiliza uma retórica inflamada que faz os Iranianos parecerem moderados, em comparação. Há muito poucos indícios de que sanções obteriam os resultados pretendidos pelos Estados Unidos. Isso torna tudo muito mais perigoso," concluiu.