A Coreia do Sul e o Japão deverão aliar-se, num futuro muito próximo, para oficializar um acordo de troca de informações sobre a Coreia do Norte e, em particular, acerca do seu programa nuclear. A realizar-se, esta parceria colocará do mesmo lado dois países que, ao longo da História, partilharam conflitos - alguns dos quais ainda por sarar. Para além de Seul e Tóquio, o acordo de partilha de dados contará também com Washington.

Apesar de ainda não existir uma data oficial para a consumação desta parceria, um comunicado divulgado hoje pelo Ministério da Defesa da Coreia do Sul dá nota de que a mesma está "iminente". As agências internacionais, entretanto, adiantam que o acordo entre os três países deverá ser assinado sem um encontro formal, contando apenas com a assinatura dos respectivos ministros da Defesa.

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Robert Dujarric, director do Instituto de Estudos Asiáticos na Universidade Temple reconheceu, em declarações à imprensa, a existência de alguma tensão e discórdia entre a Coreia do Sul e o Japão. "Nós discordamos na História", admite o especialista, antes de acrescentar que ambos os países podem colaborar e lançar "uma mensagem para a Coreia do Norte e a China", no que descreve como um gesto "simbolicamente importante".

Recorde-se que o principal impasse que o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, e a presidente sul-coreana, Park Geun Hye, têm por resolver diz respeito às ilhas Takeshima (como são chamadas por Tóquio) ou Dokdo (assim apelidadas por Seul), que ambos os países reivindicam para o seu respectivo território. Com efeito, a Coreia do Sul e o Japão já tinham tentado estabelecer uma parceria há dois anos que acabou por nunca se consumar.

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Dessa vez, o objectivo seria a troca de informações sobre a China.

Por seu turno, os Estados Unidos - que se viram ameaçados pelas declarações mais recentes de Pyongyang - já tinham oficializado acordos individuais com a Coreia do Sul e o Japão, precisamente para a troca de informações sobre o regime de Kim Jong-un, contando já com tropas posicionadas em ambos os países.