Desde que as autoridades conseguiram evitar a propagação do ébola pela Europa que o assunto deixou de ser tema dos média tradicionais, principalmente desde que a enfermeira espanhola Teresa Romero conseguiu ultrapassar a doença. Contudo, nos três países africanos onde a epidemia começou, o vírus continua a ser um problema muito sério e a fazer vítimas. A Serra Leoa tem actualmente cerca de metade dos casos registados de ébola, com os países vizinhos Libéria e Guiné-Conacri a concentrar grande parte dos restantes casos. E apesar de as autoridades de outros países vizinhos - nomeadamente a Guiné-Bissau - estarem a conseguir limitar a propagação, o surto parece ainda longe do fim, especialmente na Serra Leoa. O número de vítimas ultrapassou, à data, os 7 milhares.


A agência Reuters esteve em Kono, o distrito da Serra Leoa mais afectado pela epidemia, e constatou no local as dificuldades que se vivem em termos de falta de meios e ainda de falta de procedimentos. A Reuters relatou que os enfermeiros estavam mal preparados para lidar com os doentes (descurando os melhores cuidados por medo de serem, eles próprios, contagiados). Contudo, era visível pouca preocupação no isolamento dos casos suspeitos e confirmados, de forma a reduzir ao mínimo as probabilidades de contágio. 


Entretanto, um estudo realizado por investigadores britânicos acusa as directivas do Fundo Monetário Internacional (FMI) de terem fragilizado os sistemas de saúde públicos dos três países africanos. Em causa estão os empréstimos de que estes países têm sido receptores, e que têm levado a que o FMI (tal como sucedeu com a Troika em Portugal, da qual o FMI fez parte) imponha regras relativamente aos orçamentos de Estado da Serra Leoa, da Libéria e da Guiné-Conacri. De acordo com Lawrence King, co-autor da investigação, o FMI emitiu directivas em 2013 proibindo mais investimento na área social. O estudo envolveu especialistas das universidades de Cambridge, Oxford e da Escola de Medicina Tropical de Londres.