Em Julho deste ano, Eric Garner foi confrontado por um grupo de polícias por vender cigarros avulso numa rua em Nova Iorque, nos Estados Unidos. O indivíduo afro-americano acabou por ser imobilizado por Daniel Pantaleo com uma técnica denominada choke-hold, através do qual o detido é agarrado por trás, com um braço a pressionar o pescoço. Garner queixou-se de que não conseguia respirar, mas o seu alerta em tom de súplica foi ignorado e a detenção acabou por provocar a sua morte, já no hospital. Soube-se depois que o cidadão sofria de asma.

Depois de na quarta-feira passada o júri do tribunal de Staten Island ter absolvido o agente policial pela morte de Eric Garner, ocorreu um fenómeno na internet.

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Além de comentários críticos nas redes sociais, vários utilizadores serviram-se da hashtag #CrimingWhileWhite (que numa tradução livre significa "criminosos brancos") para confessar crimes passados que poderiam levar à sua detenção caso fossem indivíduos de raça negra. "Detido certa vez por roubar sinais de trânsito na véspera de Natal. Castigo ignorado para não interferir com o clube de teatro", diz um dos tweets. "No secundário estive envolvida num acidente em que a culpa seria minha. O polícia disse-me que a culpa era de 'aliens ilegais'", diz outro tweet. "Fui parado por causa das luzes de travão. Era menor, estava alcoolizado e a conduzir acima do limite. O polícia deixou-me caminhar até casa de um amigo", contra outro protestante online. E a lista continua.

Mas os protestos foram também mais além, com centenas de manifestantes a perturbarem a inauguração da árvore de Natal no Rockefeller Center esta quarta-feira.

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O evento foi interrompido e mais de 80 activistas foram detidos. Vários outros protestos têm perturbado a normalidade do quotidiano nos Estados Unidos. É que o caso de Eric Garner tem precedentes, e muitos.

Em Agosto passado, em Ferguson, no estado do Missouri, o agente Darren Wilson matou o jovem, também ele de raça negra, Michael Brown. O norte-americano de 18 anos estava com um amigo e foi mandado parar pelo polícia, mas alegados confrontos seguiram-se à chamada de atenção e tiros foram disparados por Wilson, resultando na morte de Brown. Testemunhas alegam que o jovem apenas levantou os braços em jeito de rendição e que, mesmo assim, foi morto a tiro.

Em Novembro, Darren Wilson foi absolvido em tribunal apesar dos testemunhos, o que gerou protestos em todo o país, incluindo durante a Black Friday. Figuras públicas como Beyoncé e até o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, fizeram declarações sobre o caso que, segundo os protestantes, é apenas mais um numa lista de muitos outros nos quais as forças policiais, especialmente quando os agentes são de pele branca, alegadamente descriminam indivíduos negros, violando direitos civis, e servindo-se de violência mesmo quando não é caso para isso.

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Outro incidente ocorreu em Phoenix, no Arizona, quando um polícia assumiu que o suspeito que estava nas imediações de um local que estava a ser investigado tinha levado a mão ao bolso para retirar uma arma. Soube-se depois que Rumain Brisbon estava a retirar comprimidos do bolso. Também há pouco tempo foi morto em Cleveland Tamir Rice, um adolescente de 12 anos que tinha na sua posse uma arma de brincar. Dois polícias foram chamados ao local e, minutos depois, a criança foi baleada duas vezes, acabando por morrer. Estes e outros casos têm gerado controvérsia na opinião pública e feito correr muita tinta na imprensa.