Uma mãe de 29 anos foi atingida mortalmente pelo seu próprio filho de 2 anos de idade, quando estava às compras num supermercado da cadeia Walmart. O caso deu-se nos Estados Unidos, na cidade de Hayden, estado de Idaho. De acordo com a televisão local KREM-TV, a criança estava sentada no carrinho de compras quando mexeu, de forma casual, na mala da sua mãe. A mulher veio a falecer no próprio local.


O tenente Stu Miller, da polícia local, divulgou no Twitter que o tiro foi acidental. A forma como esta conclusão foi anunciada supõe que as autoridades tiveram de colocar a hipótese de a criança de 2 anos ter querido assassinar a sua mãe de forma intencional - mas tal não sucedeu, efectivamente. O estado de Idaho está situado no chamado Oeste americano, fazendo fronteira com os estados de Washington e Oregon, banhados pelo Oceano Pacífico.


A posse e utilização de armas de fogo é um dos temas mais polémicos na política e na sociedade americanas. A questão de fundo é cultural e remonta às origens do país, uma vez que os Estados Unidos nasceram da possibilidade de os colonos, súbditos da monarquia inglesa, poderem pegar em armas contra a sua autoridade. Este direito ficou consagrado na Constituição americana, na chamada Segunda Emenda que foi adoptada ainda em 1791, apenas 4 anos depois da publicação da primeira versão da Constituição. A utilização de armas continuou a ser corrente, e tanto mais quanto o país se construiu pela ocupação de terras desabitadas ou habitadas pelos índios nativos, e é habitualmente nos estados do Sul e do Oeste que a posse de armas é vista como uma coisa normal. Ao contrário da Europa, onde a utilização de armas não é tão habitual, nessas regiões americanas os pais ensinam os filhos a disparar desde muito cedo, e as leis de compra e posse são muito mais permissivas que por cá. A tradição do cinema americano dos westerns, muito em voga nas décadas de 50 a 70, é um reflexo óbvio da cultura do uso e posse de armas.
Nos últimos anos, os sectores mais progressistas ou mais à esquerda da sociedade americana - nomeadamente o Partido Democrático, e as regiões do noroeste (em torno de Nova Iorque e Boston) - têm tentado impôr o seu ponto de vista - mais próximo da tradição europeia - ao conjunto da sociedade americana, de modo a que a arma de fogo seja visto como um perigo para a vida, e não como um direito. Estima-se que existam 300 milhões de armas por todo o país. A divulgação de casos como o desta mãe - que, além de arriscar a sua própria vida deixando uma arma de fogo ao alcance da sua criança, arriscou a vida da própria criança e das pessoas que estavam naquele supermercado - ajudará esta causa. Contudo, para contrariar uma tradição bissecular e fundada na psique do Sul e do Oeste americanos, e também o poder da indústria de armamento - os EUA são o maior produtor mundial - será necessário um longo combate político, social e cultural.