O estudante que foi preso por insultar o líder da Turquia ficou livre da custódia esta sexta-feira, depois de a sua prisão ter intensificado os rumores de que o país estava a caminhar em direcção a um regime mais autoritário sob a presidência de Recep Tayyip Erdogan. Por detrás da libertação de Mehmet Emin Altunses, encontra-se uma queixa apresentada pelo seu advogado, na cidade central de Konya. Baris Ispir apresentou uma petição no tribunal para a libertação do jovem, juntamente com cerca de 100 colegas, numa demonstração de apoio. Apesar disso, Altunses ainda permanece acusado de insultar Erdogan e irá a julgamento em data ainda a ser especificada.

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O jovem corre o risco de pena de prisão até quatro anos se for condenado.

Ao deixar o prédio principal do tribunal da cidade, Altunses foi recebido pelos pais, tendo declarado à CNN-Turk que o seu activismo político iria continuar. "Não somos terroristas", disse o jovem após a sua libertação. "Quando nós tomámos este caminho, fizemos uma promessa de não voltar atrás. Não vamos ceder à pressão". O rapaz de 16 anos foi preso na quarta-feira por acusar Erdogan e o partido no poder de corrupção durante a sua participação num comício de ala esquerda. No seu discurso, Altunses afirmou que os estudantes não consideravam Erdogan o presidente, mas o "chefe de roubo, suborno e corrupção".

Durante o interrogatório, o adolescente, que foi preso na escola, negou ligações com qualquer partido político, mas confirmou que tinha feito as declarações em questão.

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À detenção de Altunses seguiram-se protestos, onde os partidos da oposição denunciaram o caso como o mais recente exemplo de autoritarismo e repressão da liberdade de expressão por parte do governo turco. Assim sendo, não ficou claro se a libertação antecipada do jovem se terá devido às enormes proporções que o caso tomou, sendo noticiado em todo o mundo. Contudo, funcionários insistem que as acções judiciárias na Turquia são independentes do Estado e que é comum que os detidos sejam libertados da custódia com rapidez.

Recorde-se que, na Turquia, é crime insultar o chefe de estado, podendo ser-se punido com quatro anos de prisão. Esta foi, contudo, a primeira vez que um menor foi detido. Dezenas de advogados ofereceram-se para defender o adolescente e pediram a sua libertação numa altura em que Erdogan - que tem dominado a política turca durante a última década, como primeiro-ministro e presidente - tem sido acusado de dirigir a Turquia para longe da democracia, combatendo os protestos, suprimindo a liberdade de imprensa e aumentando os poderes da polícia.

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Caso divide opiniões na Turquia

Erdogan não comentou especificamente este caso mas afirmou, na sexta-feira, que a comunicação social na Turquia era "mais livre" do que no resto do mundo, usando como argumento a quantidade de "insultos" dirigidos a si ou à sua família. "Insultos que não seriam permitidos em países democráticos". Por seu turno, o primeiro-ministro Ahmet Davutoglu defendeu a decisão do tribunal de prender o rapaz, alegando que "o cargo do presidente deve ser respeitado, seja por quem for".

Por seu lado, Kemal Kilicdaroglu, líder do Partido Popular, na oposição, congratulou-se com a libertação do jovem, referindo que era "errado uma criança ser mantida sob custódia até mesmo durante um minuto." Já Sezgin Tanrikulu, vice-presidente do principal partido de oposição Partido Republicano do Povo (CHP), escreveu no Twitter que a libertação não faria nada para mudar "a situação miserável em que a nossa democracia se encontra". #Justiça