Este fim-de-semana o comando curdo no Iraque declarou ter conseguido romper o cerco do Monte Sinjar, no norte do país, onde centenas de pessoas da minoria iazidi, apoiadas por guerrilheiros curdos, resistiam desde Agosto aos ataque do Estado Islâmico. O líder dos guerreiros curdos no Iraque (auto-proclamados Peshmergas), Massoud Barzani, já se dirigiu à cidade de Sinjar para confirmar a situação com os seus próprios olhos, a sua presença aparentemente indicando que a situação está controlada. Apesar de ainda haver combates em algumas áreas da povoação, as autoridades curdas falam de retiradas em massa das forças do EI, que estariam a ceder à pressão combinada da ofensiva curda e dos ataques aéreos da coligação internacional.

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A confirmar-se esta situação, este será mais um contratempo a somar aos outros sofridos pelos islamitas nas últimas semanas.

Entretanto os ataques aéreos feitos pela coligação militar sob o comando americano que já juntou nações tão díspares como o Reino Unido, Irão e mesmo Marrocos, têm flutuado em intensidade à medida que os alvos de maior dimensão desaparecem, aparentemente resultado de uma diluição do esforço do EI, que começará a utilizar unidades mais pequenas do que as apresentadas no início do ano. A juntar a esta situação existem também notícias de execuções em massa de desertores. Esta última ação não é rara em exércitos em combate, mas como sempre sucede com o EI é a brutalidade das execuções que surpreende.

Não obstante as aparências, convém não assumir que estas situações traduzem uma mudança geral no modo como a campanha se tem desenvolvido até ao momento.

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De facto, as forças do EI continuam a controlar grandes parcelas dos territórios sírio (sobretudo no nordeste) e iraquiano (a região norte), continuando a cometer atrocidades nesses espaços, num esforço para subjugar as populações pelo terror. Mais ainda, a sua presença no terreno traduzir-se-á em cerca de 30.000 homens, embora, segundo a informação apresentada pela BBC, a maioria corresponda a pessoas recrutadas sob coerção de entre os cerca de 8 milhões de civis sob controlo do EI. Ainda assim, uma importante minoria do exército ainda corresponde a fundamentalistas vindos um pouco de todo o mundo, inclusive de países ocidentais.

As decapitações em massa, a admitida escravização de civis (inclusive, há poucas semanas deu-se a publicação de um manual que incluía os modos de um guerreiro "desfrutar" das prisioneiras, mulheres ou meninas), e a limpeza étnica do EI causaram horror internacional, o que justificou a intervenção de diversos governos nesta crise. Neste momento inclusive o Irão e a Arábia Saudita, rivais na luta pela supremacia sobre o Médio Oriente, operam numa aliança instável com o objetivo de fazer frente ao EI.

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A somar a esta situação temos também a resposta da própria Al-Qaeda na Síria, que declarou que estes últimos eram demasiado brutais e que estariam a ter um efeito negativo entre os seguidores da fé islâmica, e a estranha passividade da Turquia, que é também uma rival de Riade e Teerão.

Como deve imaginar pela estrutura e pelas informações apresentadas neste texto, a situação no terreno está bastante confusa e fluída. Países que não se dão bem estão a ajudar-se para lidar com a ameaça que é o EI, mas nas entrelinhas vemos também um duelo político entre as maiores potências regionais e a ascensão de um verdadeiro território curdo, algo que poucas dessas potências quererão ver realizado.