Este domingo o governo turco levou a cabo uma série de surtidas a um jornal e um canal de televisão ligados à oposição. 23 pessoas foram presas, apesar dos sonoros protestos dos populares presentes. No local foram feitas declarações de apoio à chamada imprensa livre e este evento promete ser mais uma polémica na já longa lista que tem marcado o governo do presidente turco Recep Erdogan. Tais ações surgem apenas alguns dias após este último ter feito declarações promovendo críticas seu rival e antigo aliado, Fethullah Gulen.

As transformações na sociedade turca desde que Erdogan se tornou primeiro-ministro, em 2003, têm sido vistas como preocupantes pela comunidade internacional, sobretudo entre os aliados ocidentais de Ancara.

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Para além de diversas declarações e decisões que parecem comprometer aquela que é aceite como uma das mais modernizadas e tolerantes nações predominantemente islâmicas, Erdogan tem também sido o centro de polémicas relacionadas com corrupção, que deram azo, há cerca de um ano, a um dos maiores escândalos da moderna história turca, provocando a cisão com o progressista Gulen, que desde então está radicado no Estado Unidos da América. Ocorreram protestos de rua que levaram, inclusive, a diversas mortes. Desde então, Erdogan tem conseguido ultrapassar as críticas, perseguindo de forma algo implacável os seus rivais políticos.

A par com estas ações de política interna, na arena internacional Erdogan tem mantido uma postura de rutura com Israel, outrora aliado no esquema geral das relações com o restante Médio Oriente, assim como uma oposição ao Irão e à Arábia Saudita na disputa por uma posição predominante na região.

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Recentemente essa luta política cruzou-se com a questão da guerra civil na Síria e o combate ao Estado Islâmico. Ancara assumiu uma posição algo distanciada de um conflito que se disputa à sua porta, o que levantou ainda mais questões quanto ao jogo a longo prazo de Erdogan. No geral, o presidente aparenta tentar solidificar o seu poder. Interessante notar que, aquando da fundação do Estado Turco, em 1923, a ambição era exatamente a da criação de um país moderno, ao nível dos mais sofisticados do mundo, o que faz com que muitos turcos se sintam preocupados com o estado das coisas.