O destino da Grécia começa hoje a ser decidido. Esta quarta-feira, os 300 deputados que constituem o parlamento helénico procedem à eleição do novo Presidente da República. Mas não é certo que Stavros Dimas - o candidato apoiado pelo actual executivo, chefiado por Antonis Samaras - consiga reunir o número mínimo de votos para garantir a eleição. A verificar-se este cenário, o processo de votação poderá ser repetido duas vezes até ao final do ano. Mas no caso de não se conseguir eleger o próximo Presidente da República, o passo seguinte será a dissolução do parlamento, a que se seguirão, forçosamente, eleições legislativas - um cenário que preocupa seriamente a União Europeia.

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Um mínimo de 200 votos é o valor de que o actual governo grego - constituído pelo partido de centro-direita Nova Democracia, em coligação com o PASOK (centro-esquerda) e a Esquerda Democrática - necessita para que o próximo chefe de Estado possa ser eleito. No entanto, estas formações políticas não somam, em conjunto, mais do que 155 deputados, num universo de 300. Caso não consigam garantir a eleição do novo Presidente, haverá lugar a uma segunda volta no dia 23 de Dezembro, próxima terça-feira, embora o número mínimo de votos continue nos 200. Voltando, porém, a verificar-se o insucesso da eleição, será realizado um terceiro momento de votação, desta feita a 29 de Dezembro, para o qual serão necessários 180 votos - um número menor do que o exigido pelas anteriores voltas mas, ainda assim, demasiado elevado para os números do actual governo.

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Incertezas e cenários

Perante este cenário, reina a incerteza e dividem-se as opiniões sobre o futuro próximo da Grécia. Nikolas Voulelis, editor do jornal diário 'Efimerida ton Syntakton' avalia como "pouco provável" a eleição do candidato presidencial. Ainda assim, há quem também considere que o medo dos riscos que se abateriam sobre o país, no caso de a votação não ser bem-sucedida, será argumento suficiente para garantir que um número mínimo de deputados garanta a eleição de Stavros Dimas, antigo comissário da União Europeia e vice-presidente do partido Nova Democracia.

Tal como refere a lei grega, na incapacidade de se eleger um novo chefe de Estado após três voltas de votação, o parlamento é dissolvido, procedendo-se à convocação de eleições legislativas. Sendo assim, o motivo que fez disparar o alarme em Bruxelas é o facto de, segundo as mais recentes sondagens, o partido da esquerda radical Syriza ser o que parece reunir a preferência dos cidadãos gregos. Recorde-se que esta formação, liderada por Alexis Tsipras, tem-se afirmado como um dos maiores símbolos da luta contra a austeridade, tendo sido, inclusivamente, o partido helénico mais votado nas últimas Eleições Europeias, realizadas em Maio deste ano. A tornar-se o vencedor de umas hipotéticas eleições legislativas, será de prever toda uma série de novos impasses relativamente ao diálogo entre a Grécia e os seus credores internacionais.