Intensifica-se o impasse no parlamento grego depois da segunda tentativa de eleger o novo Presidente da República ter fracassado hoje. Stavros Dimas, o candidato proposto pelos partidos que constituem o actual governo da Grécia, voltou a não conseguir reunir a quantidade necessária de votos. O futuro do país será, assim, decidido num terceiro momento de votação, marcado para segunda-feira, dia 29. Ao todo, foram 168 os votos que o ex-comissário da União Europeia, Stavros Dimas, obteve a favor da sua eleição.

Os valores oficiais revelam, assim, uma ligeira súbita no número de apoiantes, na medida em que o candidato a presidente tinha contado com a aprovação de apenas 160 deputados no primeiro momento de votação, que decorreu no passado dia 17 deste mês.

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Ainda assim, o também vice-presidente do partido Nova Democracia continuou longe do número mínimo capaz de lhe garantir a nomeação: 200 votos, num universo de 300 deputados.

A atenção dos cidadãos gregos, de Bruxelas e dos mercados volta-se agora para segunda-feira, dia para o qual está marcado o terceiro e último momento previsto na lei para a eleição de Stavros Dimas. Para o derradeiro sufrágio, o candidato precisará apenas de 180 votos a favor da sua nomeação. Ainda assim, tem-se multiplicado o cepticismo dos especialistas em relação ao sucesso da próxima votação, tendo em conta o reduzido número de apoios que a coligação que forma o actual governo conseguiu reunir até agora.

Cenário de eleições legislativas é cada vez mais real

Na impossibilidade de conseguir nomear um novo chefe de Estado até 29 de Dezembro, o parlamento grego é dissolvido, situação que levará à marcação de eleições legislativas.

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Este é um cenário que tem levantado a preocupação de Bruxelas e dos mercados, uma vez que as sondagens mais recentes dão a vantagem ao Syriza - a formação da esquerda radical liderada por Alexis Tsipras.

Mas mesmo que Stavros Dimas consiga ser eleito, a hipótese de eleições em 2015 poderá já não estar afastada. Recorde-se que, ontem, o primeiro-ministro Antonis Samaras lançou a promessa de antecipar as eleições legislativas para o próximo ano, um gesto de concessão às formações da oposição, num esforço para tentar garantir o sucesso da nomeação de hoje.