O programa de resgate da Grécia vai continuar mais 2 meses. A decisão foi tomada hoje numa reunião do Eurogrupo, em que os ministros das Finanças da zona euro decidiram que não é possível concluir a quinta avaliação até ao fim do ano, uma vez que existem ainda desentendimentos com as autoridades gregas. Em causa está  um "gap" de dois a três milhões de euros e as medidas que serão necessárias para o ultrapassar, uma vez que o governo grego não está disposto a aceitar mais medidas de austeridade. Contudo, as autoridades europeias reafirmaram a disponibilidade para aplicar à Grécia um "programa cautelar", que a proteja da especulação à saída da Troika - tal como se chegou a prever para Portugal. 


Poucos minutos depois desta decisão ter sido tomada, o primeiro-ministro Antonis Samaras anunciou a antecipação das eleições presidenciais, que deverão ser votadas em 3 voltas, a primeira das quais já na próxima semana. A eleição presidencial, cargo de importância simbólica, é feita no próprio parlamento, onde Samaras tem uma maioria muito ligeira de 155 deputados em 300. De acordo com os analistas, a ideia é que Samaras possa disputar estas eleições com a promessa de vir a terminar o programa da Troika muito em breve; contudo, se perder, é altamente provável que isso traga a queda da sua coligação, levando a eleições legislativas.


Ao mesmo tempo, outros apontam que se trata de tentar reforçar o seu poder interno ameaçando o eleitorado do centro com o espectro da insolvência, repetindo o cenário de eleições legislativas passadas em que a um grande resultado inicial da extrema-esquerda se seguiu um recuo na segunda volta. Contudo, a imprensa internacional já está atenta a esta movimentação, e a Business Week já prevê que "a Grécia vai voltar a estar sob os holofotes do mundo, como em 2011" e que a possibilidade de uma nova crise na zona euro pode desenvolver-se na próxima Primavera". uma vez que a eventual vitória nas eleições do Syriza (o partido de extrema-esquerda) poderia tornar muito mais difíceis as negociações com a Troika.