"Grosseiros e descuidados" foram os adjectivos utilizados para descrever os activistas do Greenpeace, que esta semana, no Peru, entraram numa zona interdita ao público e causaram possíveis danos às "Linhas de Nazca", monumento arqueológico com mais de 1500 anos, classificado pela UNESCO como Património Mundial da Humanidade. Os ativistas pretendiam chamar a atenção para o aquecimento global e o uso de energias renováveis, utilizando grandes pedaços de pano sobre as pedras do monumento, formando as palavras "Tempo de mudança. O futuro é renovável. Greenpeace", enquanto decorria a Cimeira do Clima, em Lima, capital do Peru.

Representantes do Greenpeace já pediram desculpa pela "má interpretação da mensagem", alegando no entanto que tiveram todo os cuidado para não destruir nada, e que não pretendiam ofender o povo peruano.

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O governo peruano anunciou entretanto a intenção de identificar, prender e levar a tribunal os intervenientes no protesto, por invasão de uma zona de entrada ao público estritamente proibida e crime lesivo do interesse da Humanidade. "A agressão ao monumento arqueológico pode levar a uma sentença de até seis anos de cadeia", revela a Procuradoria do Peru, a quem o Governo fez a denúncia.

De acordo com as autoridades governamentais, o grupo deixou marcas na areia durante a façanha. "É um verdadeiro estalo na cara contra tudo o que os peruanos consideram de mais sagrado," disse Luis Jaime Castillo, Ministro-Adjunto da Cultura. "O Monumento Arqueológico é frágil, são pedras negras em fundo branco. Caminha-se ali e a pegada fica lá por centenas, por milhares de anos", afirmou Castillo. "E a linha que destruíram é a mais visível e reconhecida de todas".

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"O Peru não tem nada contra o Greenpeace. Todos nos preocupamos com as mudanças climatéricas," acrescentou Castillo. "Mas os fins não justificam os meios." No comunicado à imprensa, o Greenpeace reconhece que "ficaram mal vistos" e informou que o Administrador Executivo, Kumi Naidoo, se deslocaria ainda esta semana a Lima para apresentar um pedido formal de desculpas. O Greenpeace irá cooperar com qualquer investigação e "está disposto a encarar consequências razoáveis e justas," diz o comunicado. #Natureza