A Índia testou ontem, quinta-feira, um foguetão com módulo para astronautas cujo lançamento foi bem sucedido. O presidente da ISRO (Organização Indiana de Pesquisa Espacial, a agência espacial do país), K. Radhakrishnan, congratulou-se com o sucesso alcançado, mencionando que se trata de "um dia muito significativo na história espacial da Índia." Isto significa que a Índia está preparada para, em breve, realizar a sua primeira viagem tripulada ao espaço. Também o primeiro-ministro Narenda Modi deu os parabéns à equipa envolvida.


Baptizado de GSLV MK-III, com 42 metros de comprimento e 630 toneladas, o foguetão devia cumprir dois objectivos neste teste. De acordo com a agência espacial, o módulo deveria ser capaz de regressar à Terra, aterrando com o apoio de um pára-quedas. Capaz de acolher duas a três pessoas, o módulo aterrou no mar da baía de Bengala, e está portanto em condições de repetir a viagem no futuro com tripulantes.


Além disso, o teste iria analisar a capacidade de voo do foguete carregando 4 toneladas de carga, de forma a permitir fazer o lançamento de satélites mais pesados que os actuais. A Índia dedica-se à colocação em órbita de satélites desde 1999 e pretende desenvolver as suas capacidades neste sentido. O centro de lançamentos está situado em Satixe Dauan, no estado de Andra Pradexe, no sul do país. 


Este teste confirma o bom momento do projecto espacial da Índia, apenas 3 meses depois da colocação de uma sonda na órbita de Marte. Note-se que foi o primeiro país asiático a fazê-lo, superando a China e o Japão neste aspecto. De acordo com jornal inglês Telegraph, os indianos tinham planeado, em 2009, realizar em 2015 a sua primeira viagem tripulada ao espaço e em 2020 colocar um astronauta indiano a caminhar na lua. Cinco anos depois, o plano delineado parece estar a ser cumprido sem falhas e sem atraso. O sucesso do projecto espacial é um dos componentes da afirmação da Índia como grande potência mundial, enquanto membro dos BRICS. O teste surge também poucas semanas depois de a agência espacial europeia ter conseguido, com sucesso, fazer aterrar uma sonda - a Philae - num cometa, o 67P.