Não sei se se lembra, mas quando o novo Presidente chinês Xi Jinping chegou ao poder, em Março de 2013, havia a esperança de que ele se viesse a tornar no líder progressista que abriria a China ao mundo, e permitiria uma melhoria das relações usualmente tépidas entre Pequim e o Ocidente. Seria o derradeiro passo da globalização que se tinha vindo a desenvolver desde a queda do Muro de Berlim. Aliás, a tomada de posse de Jinping levou a uma aumento dos negócios entre o Ocidente e a China. No entanto, desde então que Pequim tem vindo a estabelecer medidas para um controlo cada vez maior da população, após a leve abertura na alvorada do presente século.

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Os comentários agora feitos pelo Presidente parecem indicar uma direção mais conservadora para o seu governo, o que não deveria ser assim tão surpreendente para nós aqui no Ocidente, mas que não deixa, contudo, de parecer algum tipo de mau agoiro tendo em conta a situação política internacional.

A República Popular da China (RPC) foi estabelecida em 1949, após uma sangrenta guerra civil que incluiu os confrontos conta os japoneses na Segunda Guerra Mundial. Os derrotados republicanos chineses estabeleceram-se na ilha de Taiwan, ainda hoje reclamada por Pequim como parte do seu território. Entre as suas diversas províncias, a RPC contará com 1,35 mil milhões de habitantes, sendo o país mais populoso do mundo.

No entanto, nem todas as diferentes regiões deste país partilham do mesmo desejo de lhe pertencer.

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A questão do Tibete, ocupado desde 1950, é certamente mais conhecida, mas existem movimentos separatistas também em Xinjiang, e as manifestações em Tianamen e mais recentemente em Hong Kong trazem ao de cima insatisfações inerentes ao sistema chinês, mantidas sob controlo através de impressionante sistema de repressão. Até o Gmail foi bloqueado recentemente pela Grande Firewall que controla o acesso à Internet pela população chinesa. No entanto, convém ter em conta que existem outros problemas. No geral, a tolerância a este sistema pela maioria da população chinesa é sustentada pela constante promessa de emprego. Como sempre, é a economia que mantém ou quebra a paz. Agora vejamos isto na luz da diminuição do crescimento económico chinês dos últimos anos, que certamente não irá ajudar a esta questão.

A somar aos problemas internos, temos a política externa. Não obstante as promessas de Jinping acerca da resolução pacífica das questões territoriais com os vizinhos, como por exemplo a Índia, o Vietname, a Coreia do Sul, o Japão e as Filipinas, a verdade é que Pequim tem assumido uma postura cada vez mais hostil perante estes países.

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A par disso tem também investido grandemente na expansão e modernização das suas forças armadas. O que quer isto dizer? Difícil responder. No entanto os recentes comentários de Jinping parecem invocar os discursos ultra-nacionalistas do início do Século XX, inclusive suportados por grandes personalidades catedráticas, como tão bem explica Norman Stone no seu livro sobre a Primeira Guerra Mundial.

A verdade, de momento, é que o governo chinês está a mover-se na direção oposta daquela que assumira no ano passado. E os apelos ao nacionalismo pelo Presidente nada fazem para suavizar a situação.