Esta tem sido uma semana invulgarmente ativa em notícias, mas vivemos numa época invulgarmente agitada (ou pelo menos assim nos é dado a entender). Para mim, que procuro falar-vos de notícias que poderão achar interessantes, fica sempre a difícil questão sobre como abordar estes temas todos de um modo que faça sentido. Claro que a resposta simples é: um de cada vez. Comecemos então pelos eventos ainda quentes na Europa de Leste e pela mais recente interceção de aeronaves russas pela aviação norueguesa.

A 29 de Outubro caças F-16 noruegueses (muito parecidos com os usados em Portugal) lançaram uma missão de interceção de caças russos que sobrevoavam águas internacionais, próximo do espaço aéreo norueguês.

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A situação não é extraordinariamente nova, e tem sucedido dia sim e dia não desde o início da crise ucraniana, com ênfase nos últimos meses devido ao aumento de tensão entre a Rússia o bloco ocidental, e à manutenção do conflito de baixa intensidade a decorrer no leste da Ucrânia. Aliás, ainda é recente a memória da passagem de bombardeiros russos junto às nossas águas internacionais.

O curioso desta interceção dos caças noruegueses, contudo, foi o súbito momento de tensão que decorreu quando um dos F-16 se colocava ao lado de um caça-bombardeiro Su-34 russo e, subitamente, foi obrigado a desviar-se violentamente para evitar uma colisão com um intercetador de longo curso MiG-31. Nas imagens recentemente reveladas pela Força Aérea Norueguesa vemos bem a tensão do momento e a proximidade das duas aeronaves.

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De acordo com a história oficial, o MiG fez uma manobra brusca que obrigou ao desvio do caça norueguês.

Apesar do aparato, temos de ter em conta que esta situação, em si, não é nova. Aconteceu constantemente durante quase quarenta anos na era da Guerra Fria. E, até há pouco tempo, situações similares haviam levado ao choque, em pleno voo, de aeronaves americanas e chinesas, do outro lado do mundo. Portanto, duelos deste tipo não serão incomuns entre nações rivais ou sobretudo em regiões ou momentos de maior tensão. O que é diferente agora para sermos bombardeados, metaforicamente, com estas imagens e notícias?

É a situação na Ucrânia e, sobretudo, as respostas do bloco ocidental. Apesar de a Rússia estar abertamente a ser hostil em relação aos seus vizinhos, alguns dirão até que Putin tenta uma normalização da posição de Moscovo em relação aquela parte do mundo. O facto é que a resposta ocidental está a forçar a Rússia a uma posição mais agressiva. A ideia de fazer vergar uma grande potência militar pela economia é extremamente perigosa, a História assim nos diz. Gera uma situação em que basta um erro no momento errado para que a situação descambe em algo pior.