Uma mulher saudita violou a lei do seu país e atreveu-se a ir ver um jogo de futebol disfarçada de homem. A situação aconteceu na cidade de Jedá, a segunda maior cidade da Arábia Saudita, no estádio Al-Jauara, no jogo entre a equipa local, o Al-Ittihad, e o Al-Shabab, clube da capital Riade. A mulher comprou o bilhete na internet e, ardilosamente, ocupou um lugar na zona reservada aos adeptos do Al-Shabab, clube visitante. Nessa zona havia mais lugares livres, o que permitiu à infractora ficar numa zona com alguns espaços vazios a separá-la dos adeptos mais próximos, de forma a não ser notada. Não se sabe se era de facto adepta do Al-Shabab (e se veio de Riade até Jedá para o jogo) ou se seria uma adepta do Al-Ittihad disfarçada de adepta do Al-Shabab para ver o jogo nessa área com menos espectadores.


O caso ganhou destaque depois de um vídeo que prova a infracção ter sido colocado no Youtube. Nesse vídeo é visível a presença da mulher nas bancadas e também o esforço para cobrir-se e evitar ser descoberta. O jornal inglês Independent mencionou que o vídeo foi elaborado por um "agente de segurança" do próprio estádio, e que a mulher foi posteriormente detida. De acordo com o Independent, um oficial da polícia comentou mais tarde que a presença da mulher no estádio era contra a lei e que o caso seria encaminhado para as autoridades competentes. Embora não seja referida qual a autoridade em questão, crê-se que possa ser o "Comité para a Promoção da Virtude e Prevenção do Vício", a polícia religiosa e de costumes da Arábia Saudita. 


O caso demonstra também que as tecnologias de informação são, como sempre, um meio ao serviço de quem as utiliza. Podem servir para denunciar situações de abusos de autoridades e partilhar informações que os governos prefiram que não sejam conhecidas, mas também podem ser utilizadas por cidadãos anónimos que queiram colaborar com um governo na denúncia de situações que esse governo considere ilegais. Embora tenha sido um agente de segurança do estádio a fazer o vídeo, ele poderia ter sido feito e carregado para a internet por qualquer pessoa. E de acordo com o Independent, vários comentários ao vídeo, feitos por cidadãos identificados como sauditas, saúdam a detenção e apelam a que seja aplicada uma pena exemplar à mulher detida. Recorde-se que o Youtube foi fundado em 2006, 32 anos depois da extinção da PIDE/DGS, em 1974.