Duas mulheres detidas por conduzirem em público na Arábia Saudita deverão ser julgadas num tribunal especial em Riyad, constituído para lidar com casos de terrorismo. Ambas as detidas - Loujain al-Hathloul de 25 anos e Maysa al-Amoudi de 33 anos - estão presas há cerca de um mês depois de terem tentado entrar no país junto da fronteira com os Emiratos Árabes Unidos. Al-Hathloul foi detida a 1 de Janeiro, enquanto que al-Amoudi, uma jornalista saudita radicada nos E.A.U., terá sido levada sob custódia pouco tempo depois por ter tentado fazer o mesmo, em protesto pela prisão de Al-Hathloul. A Arábia Saudita é, recorde-se, o único país do mundo onde não é permitido às mulheres conduzirem em público.

Publicidade
Publicidade

Não existe nenhuma lei específica sobre a prática, mas pura e simplesmente não são passadas cartas de condução a pessoas do sexo feminino.

Ambas as mulheres enfrentarão agora as acusações no tribunal especial de Riyad. Segundo alguns ativistas pelos direitos da população feminina naquele país não o farão por causa da prática de condução, mas devido aos comentários feitos por ambas nas redes sociais. Al-Amoudi e Al-Hathloul têm usado o Twitter, no qual têm um grande número de seguidores, para expressarem as suas opiniões e relatarem a forma como têm sido tratadas pela justiça. Hala al-Dosari, uma ativista saudita, revelou ao programa Newshour, da estação de TV BBC, que a transferência dos casos das duas mulheres para o tribunal anti-terrorismo era vista como "Uma continuação dos esforços das autoridades para reprimirem os protestos", garantindo não se tratarem de casos isolados. Segundo ainda fonte dos movimentos ativistas, os advogados de ambas as mulheres planeiam interpor recursos contra as transferências.

O final da proibição da prática de condução é uma luta das mulheres sauditas que dura há já duas décadas, mas tem ganho mais força ao longo dos últimos anos, com campanhas feitas por grupos ativistas locais e no estrangeiro.

Publicidade

Esbarra com uma sociedade dominada pelos homens e com opiniões do lado mais conservador do clero saudita, como a do Xeque Saleh al-Lohaidan, que em Setembro do ano passado disse que as mulheres que conduzem correm o risco de danificar os ovários e de gerarem crianças com problemas de saúde.