O petróleo já está abaixo dos 70 dólares por barril e a tendência será para manter. De acordo com o Jornal de Notícias, o barril de Brent abriu hoje a 69,31 dólares. Já no final de Novembro esta barreira psicológica havia sido ultrapassada no índice norte-americano. A tendência de descida está a lançar grande consternação nos países mais fortemente dependentes da produção de petróleo para o equilíbrio dos seus orçamentos de estado.

A queda do preço do petróleo foi descrita há algum tempo, por alguns teóricos, como uma agressão económica promovida pelos Estados Unidos contra a Rússia e o Irão, através da influência da Arábia Saudita, uma vez que o orçamento de Estado destes dois rivais dos norte-americanos depende em boa parte de um preço alto desta matéria-prima. A situação está a afectar também a Venezuela, outro país cujas relações com os Estados Unidos não são as melhores. Na semana passada, a OPEP decidiu manter os níveis actuais de produção, para desgosto do ministro dos Negócios Estrangeiros da Venezuela que, de acordo com o Finantial Times, referiu que a situação tem "em parte, motivações políticas". Em consequência, o valor cambial do rublo (moeda russa) sofreu fortes quedas, com o mercado a assumir grandes dificuldades para a economia russa no curto e médio prazo.

A Bloomberg indicou que o preço do petróleo caiu cerca de 38% em 2014 e aponta que muitos analistas esperam "a primeira queda livre em décadas", eventualmente a descer até aos 40 dólares por barril. Muitos temem um mundo mais instável e imprevisível e receiam esse facto depois da instabilidade que se verificou em 2014, com o surgimento em força do Estado Islâmico e a crise entre a Rússia e o Ocidente (Estados Unidos, União Europeia, Ucrânia). A Bloomberg refere também que os outros países que podem ser afectados pela queda do preço do petróleo são a Nigéria, a Argélia, o Iraque e Angola, enquanto os produtores tradicionais e estáveis da península arábica (Emirados Árabes Unidos, Qatar, Koweit) poderão conviver bem com a situação.

Contudo, alguns opinadores políticos, nas redes sociais, arriscavam que o palpite da agência americana poderia estar, de alguma forma alinhado, com a Casa Branca, uma vez que a situação tende a beneficiar os americanos.  No momento imediato, os interesses dos Estados Unidos parecem totalmente em sintonia com a Europa, e nomeadamente com Portugal que vem sofrendo há vários anos com o alto preço dos combustíveis. Os Estados Unidos surpreenderam o mundo com o aumento brutal da sua própria produção de petróleo, em grande parte com a inovação da extracção  do petróleo de xisto, reduzindo a dependência das importações - facto que terá ainda consequências imprevisíveis num mundo em que já se anunciava o declínio acelerado da influência americana.