Imaginemos uma situação realmente complicada. Por exemplo, imaginemos que alguém do nosso país é refém de uma organização terrorista num canto remoto do Médio Oriente. E que esse canto remoto é o palco de uma terrível guerra civil em que o nosso país está excessivamente envolvido apesar de toda a retórica com que se tenta contrariar esse mesmo facto. Seria uma situação horrível, não seria?

Como entrar num espaço que nos é hostil, onde nos esperam, onde esperam que o façamos já há anos, mesmo. Onde nos querem, às nossas tropas, lá para poderem finalmente enfrentar aqueles que acham que são a causa raiz dos seus problemas.

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Como se consegue fazer deste resgate um evento bem-sucedido? Será mesmo possível?

Pergunto porque esta sexta-feira forças especiais dos Estados Unidos da América tentaram resgatar um jornalista americano, Luke Somers, que havia sido capturado por um grupo afiliado à Al-Qaeda no Iémen, assim como outros reféns. Infelizmente o resgate não foi bem-sucedido e o jornalista viria a morrer dos ferimentos que, segundo as informações das forças armadas dos EUA, foram infligidas pelos sequestradores durante a combate para o libertar. Um outro refém, o sul-africano Pierre Korkie, foi também morto durante a operação. Também havia reféns britânicos e turcos no campo em questão, cujo destino ainda não foi esclarecido.

Convenhamos, contudo, que a situação em si não era fácil. Somers havia sido capturado há mais de um ano, a Setembro de 2013, e uma tentativa de resgate inicial, em Novembro, não correra bem.

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Esta semana, os sequestradores haviam ameaçado que o executariam até ao fim da semana, segundo eles como castigo pelo incumprimento de demandas. Isto é muito comum nas zonas de conflito do Médio Oriente da atualidade. O uso de reféns de países ocidentais para conseguir nivelamento político e obter dinheiros ou outros fins. Em alguns casos, os governos envolvidos acabam por ceder, o que poderá, quiçá, encorajar estes terroristas a repetir a ação.

Mas, depois, como reagir quando nem essa opção está disponível? Poderiam os americanos ter feito outra coisa nesta situação? Evidentemente que só no futuro, se isso alguma vez suceder, iremos ser informados dos detalhes, mas é muito complicado conseguir efetuar operações destas e ser totalmente bem-sucedido. Ouve casos em que tal sucedeu, efetivamente, mas a verdade é que a tarefa em mãos para as tropas envolvidas é sempre ingrata. Qual é a sua opinião?

Em termos gerais, os EUA estão envolvidos em operações contra grupos afiliados da Al-Qaeda e outras forças opositoras do regime iemenita desde pelo menos o 11 de Setembro de 2001, num nível ou noutro.