O Banco Central da Rússia decidiu esta madrugada o aumento da taxa de juro da referência para 17%, num aumento enorme desde os 10,5%. A medida foi decidida em resposta ao pânico que se instala nos mercados com a queda acentuada do valor do rublo. Só ontem, 15 de Dezembro, a moeda russa perdeu 9,7% do seu valor face ao dólar. Esta subida da taxa de juro é a maior desde o "default" do país, em 1998.


As autoridades russas afirmaram em comunicado que a medida visa "combater a inflação" além de colocar um travão na própria tendência de descida da moeda do país. O rublo está agora a negociar em mínimos históricos face à moeda norte-americana, tendo baixado pela primeira vez na história abaixo dos 61 rublos por dólar. O presidente Vladimir Putin havia afirmado, há cerca de um mês, que a economia do país estava preparada para conter os indícios de recessão que se estavam a verificar. Mas, e de acordo com Sarfield Cabral (no site da Rádio Renascença), prevê-se mesmo uma grave crise no país em 2015, uma vez que 70% dos medicamentos são importados e 90% do vestuário e calçado vêm também do exterior. Com a perda de valor da moeda nacional, estes bens essenciais vão ficar muito caros. E de acordo com o Moscow Times, a inflação no país em Novembro foi de 1,3% em relação a Outubro, enquanto a inflação homóloga (relativa a Novembro de 2013) foi de 9,1%. 


O rublo é agora a moeda do mundo com a pior performance em 2014, tendo desvalorizado 49% desde o início do ano. A situação está associada não só à crise da Ucrânia, que motivou um conjunto de sanções económicas por parte da União Europeia e dos Estados Unidos (com consequências para o desempenho da economia russa), mas também com a guerra do petróleo que parece estar a ser movida pelos norte-americanos. A queda acentuada do preço do petróleo nos mercados internacionais, sem que a Arábia Saudita - o principal produto mundial - faça algum esforço para a conter, tem sido descrita como uma forma de o Ocidente pressionar a Rússia e também o Irão, países cujo Orçamento de Estado depende em grande parte do preço alto destas matérias-primas. No caso da Rússia, a vulnerabilidade a esta situação parece estar a ser mais acentuada.