Após o golpe de estado na Ucrânia, o que mudou? Em Fevereiro do presente ano um grupo de pessoas ligadas ou não a partidos políticos, depois de muitos protestos, cercam o parlamento ucraniano e obrigam o presidente eleito democraticamente Viktor Ianukovich a abandonar o poder. Toda esta revolta e descontentamento ocorreu porque o presidente deu um passo atrás no aproximamento da Ucrânia a União Europeia em detrimento da habitual relação com a Rússia. Esta atitude fez com que a Ucrânia assinasse um contrato de fornecimento de gás natural mais favorável, mesmo com as dívidas que esta tem com a Rússia. Este acordo não deixou contente aqueles que esperavam de vez um afastamento da Ucrânia com a Rússia e um aproximar com a União Europeia.

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Após estes acontecimentos, as primeiras declarações do presidente russo, Vladimir Putin, foi no sentido de afirmar que o que se passou foi uma "tomada de poder pelas armas" na Ucrânia, sublinhando que o que aconteceu foi um "golpe de estado anticonstitucional", resultado de uma insurreição armada, pelo que é a partir desta afirmação que se começa a perceber que ilusão que estava a ser criada, ou seja de uma Ucrânia Europeia não seria uma tarefa fácil.

Ao presenciar estes acontecimentos, parecia que estávamos perante a uma nova "Primavera Árabe", parecia, diz-se bem! Estamos a falar em interesses russos e aqui a conversa muda o rumo. No início de Março, 30 mil soldados russos ocupam a Crimeia, isto porque a Crimeia é e sempre será um ponto estratégico na rota do fornecimento de gás natural da Rússia para a Europa.

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A União Europeia no geral criticou a Rússia por esta ocupação e supostamente por apoiar grupos separatistas a oeste e sul da Ucrânia. Se fizermos uma breve pesquisa pela internet iremos perceber que esta zona é uma zona onde vivem maioritariamente russos ou descendentes, ou seja, Putin teria sempre uma boa desculpa para invadir territórios ucranianos com a desculpa de proteger os interesses dos seus cidadãos. Em Junho a Rússia fechou o fornecimento de gás da Ucrânia, com o argumento que a Ucrânia teria de proceder ao pagamento das suas dívidas. E a questão assumiu uma nova urgência, como as temperaturas caem, não só a Ucrânia mas também a Bulgária, Finlândia e Estónia e Alemanha, são particularmente vulneráveis ​​a um potencial de corte de gás.

Este conflito, recordo, matou mais de 3.500 pessoas, incluindo as 298 pessoas da Malásia Airlines Flight MH17-no leste da Ucrânia. Enquanto a primeira tentativa de um cessar-fogo em 05 de Setembro gaguejou, um segundo acordo alcançado em Minsk, em 20 de Setembro, que apelou para a artilharia pesada ser retirada da linha de frente e para o estabelecimento de uma zona tampão entre o governo e forças separatistas  parece estar segurando em sua maioria.

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Com esta problemática, muitos países Europeus criticaram a Rússia por este comportamento, no entanto verificamos que os países consumidores do gás natural russo forma mais cautelosos nas suas afirmações. Estou a falar concretamente da Alemanha. Apesar de ser o objectivo de a União europeia falar numa só voz, a Alemanha foi pragmática e com razão, pois um passo em falso com a Rússia poderia fazer com que estes apenas fechassem a torneira e o inverno da Alemanha seria muito doloroso. Os Estados Unidos da América, este fantástico país que está sempre pronto para defender os fracos e oprimidos, nesta problemática apenas criticaram e ficaram a ver. Com muito esforço conseguiram que a União Europeia aprovasse uns quantos embargos à Rússia, pelo que estes embargos pouco se fazem sentir. Isso porque existe um grande vizinho, a China, que está disposta a fornecer o que for necessário. No início de Novembro, a Rússia e a Ucrânia chegam a um acordo para o fornecimento de gás.

No final o que a Ucrânia ganhou com estes acontecimentos? Nada! A Rússia aumentou o seu território com a ocupação da Crimeia. Ficamos a perceber que quando a Rússia quiser ocupar os territórios da Ucrânia a Oeste e Sul é só ocupar sem ser preciso pedir licença. Elegeu um presidente na Ucrânia que irá continuar a manter a ligação habitual a Rússia. Em suma a Rússia foi o mais beneficiado com todos estes acontecimentos, algo que os revoltosos no início não estariam a espera que acontecesse, pois estes esqueceram-se que estamos a falar da Rússia. Seria impensável os EUA e EU provocarem uma guerra com a Rússia.