A Rússia conseguiu suster e evitar a desvalorização descontrolada do rublo. Declarações do ministro das Finanças Anton Siluanov apontam que os "sinais de colapso" da moeda foram estancados e que a moeda reencontrou o seu equilíbrio, depois da crise abrupta de meados de Dezembro. Contudo, o governo está consciente que, depois da forte tempestade, vai levar algum tempo a recuperar da destruição causada. Espera-se um crescimento da inflação para os 11%, e o presidente Vladimir Putin já ordenou o cancelamento das férias de fim de ano do seu governo.


De acordo com o Financial Times, as autoridades russas trabalharam no sentido de assegurar a recapitalização dos banco, subir as taxas de juro, e indicaram às maiores empresas exportadoras (nomeadamente a Gazprom - gás natural - e a Rosneft - petróleo, de acordo com o Wall Street Journal) para converter as suas reservas de divisa estrangeira em rublos. Tudo isso, aliado à suspensão temporária da actividade económica nesta época (os cristãos ortodoxos celebram o Natal a 7 de Janeiro e o trabalho só será totalmente retomado na segunda-feira, dia 12), ajudou a acalmar a situação. Contudo, especialistas sugerem que a queda do preço do petróleo e o risco de descidas no rating (à semelhança do que sucedeu com Portugal e outros países da Europa do Sul após a crise de 2008) podem causar novas descidas no valor da moeda no futuro próximo. A dívida pública russa está classificada, pelas três agências internacionais (Moody's, Fitch e Standard & Poor's), um nível acima de "lixo". Além disso, a tensão geopolítica com a Ucrânia é um factor de stress adicional. As sanções económicas do Ocidente, além das dificuldades que criam às exportações, dificultam o acesso ao crédito junto da banca internacional por parte da Rússia.


O ministério das Finanças da Rússia prevê, contudo, uma recessão de 4% para o próximo ano se o cenário actual de queda do preço de petróleo se mantiver. A Rússia necessitou de utilizar uma porção considerável das suas reservas orçamentais para estabilizar o sistema bancário e prevê um corte de pelo menos 10% em todas as despesas sociais no próximo ano. Vladimir Putin, sempre recordando o papel do Ocidente no despoletar desta crise, lembra a crise mais recente de 2008-2009 e assegura que a recuperação será rápida.