Um sequestro ocorreu na manhã de segunda-feira (cerca de 22.00H de domingo em Lisboa, fuso horário - GMT) na Austrália, mais concretamente em Sydney, num café com a designação de "Lindt Chocolate Café" e situado no centro financeiro da cidade. Tal foi perpetrado por um homem armado, não sendo na altura conhecida a sua identidade, bem como as razões que o levaram a praticar tal ato. O mesmo colocou uma bandeira do movimento do Estado Islâmico no interior do estabelecimento, mantendo um grupo de pessoas como reféns (utilizando-as como escudos humanos). O homem exigia falar com o primeiro-ministro.

O centro financeiro de Sydney, Martin Place, foi fechado e como medida preventiva foram também desocupadas algumas instalações, nomeadamente a Sydney Opera House. Supondo-se ser um grupo com mais de 2 dezenas de pessoas, saíram entretanto 5 reféns (seis horas depois do começo do sequestro), tendo a polícia australiana conseguido estabelecer comunicação com o sequestrador. O primeiro-ministro australiano, Tony Abbott, terá solicitado a todos serenidade, ponderando a hipótese de que as motivações pudessem ser de natureza política.

E tendo o sequestro sido condenado por vários grupos islâmicos na Austrália, houve quem tivesse manifestado inclusive a sua solidariedade, nomeadamente Ibrahim Abu Mohamed (Grande Mufti Professor Ibrahim Abu Mohamed) que defende a manipulação da comunidade muçulmana de combatentes radicais, e o presidente da Associação Muçulmana Libanesa, Samier Dandan. Ocorreu de igual forma uma onda de solidariedade através das redes sociais, como o Twitter, devido ao receio de os muçulmanos poderem vir a ser vítimas de discriminação.

Passadas cerca de 15 horas do sequestro, o sequestrador acabou por ser identificado pelas autoridades como sendo um refugiado iraniano com antecedentes criminais associados, cumplicidade no homicídio da ex-mulher e envio de cartas com ofensas a viúvas de soldados australianos mortos no Afeganistão, e condenado a trabalho comunitário. Após 17 horas, a polícia australiana pelas 02.30H, hora de Sydney, fez o assalto final com a ocorrência de 3 mortes, uma das mortes do próprio sequestrador, e vários feridos. De mencionar que outros reféns já teriam conseguido escapar antes da intervenção policial.

Foi ainda realizada a deslocação ao local de equipas de desminagem no sentido de averiguar a presença de minas afirmadas como existentes pelo sequestrador. De referir que na Austrália o nível de alerta terrorista passou de médio para alto em setembro deste ano devido à ameaça jihadista, tendo sido um dos primeiro países a juntar-se à coligação internacional de combate ao Estado Islâmico na Síria e no Iraque.