Existem pressões para que o caso de George Stinney Jr., adolescente negro de 14 anos, que foi esta semana ilibado por uma Juíza local, seja reapreciado pela #Justiça, mas o caso não deverá voltar a julgamento. A Juíza Carmen Mullins cancelou a decisão contra George Stinny Jr., um rapaz tão pequeno que tiveram de pôr livros para lhe dar altura na cadeira eléctrica. Ele havia sido condenado pelo assassínio de duas meninas brancas que colhiam flores junto à linha de carris de ferro numa tarde de Junho de 1944. Esta servia de divisão entre as zonas branca e negra de Alcalu, Carolina do Norte, E.U.A.

A sala de audiências do Tribunal do Condado de Clarendon, a que os negros não tinham acesso, estava cheia com 1.500 membros da comunidade branca e o júri era constituído por 12 homens brancos.

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A polícia apresentou duas versões da confissão do jovem, das quais não existe registo escrito: uma em que matara as meninas em autodefesa, outra em que as seguira para dentro do arvoredo, onde tinham sido encontradas, batendo-lhes até à morte com um ferro. O advogado do rapaz, determinado pelo Tribunal, não apresentou defesa.

O Júri levou dez minutos a chegar a um veredicto unânime. Pouco depois, o Juiz sentenciou a pena capital. A defesa não apresentou recurso. A 16 de Junho de 1944, o Estado da Carolina do Sul electrocutou George Stinney Jr., a pessoa mais jovem alguma vez executada nos Estados Unidos, o que seria ilegal pelas leis de hoje. Os repórteres presentes notaram as dificuldades em adaptar a cadeira ao pequeno porte do rapaz, que teve de levar um livro para lhe dar altura suficiente para chegar aos eléctrodos.

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Na altura, ninguém da família se opôs e o pai foi despedido da empresa onde trabalhava, tendo levado a família embora, para Nova Iorque.

Apesar de declarações juramentadas de 2011 por parte da irmã, de que Stinney se encontrava com ela e não poderia ter cometido os crimes, e de um movimento por parte de advogados e historiadores, para que o caso volte a tribunal para limpar o nome do rapaz e exigir um pedido de desculpas do Estado, Ernest Finney, Procurador do Condado de Clarendon, não vê possibilidades de isso acontecer. "Todas as provas e transcrições do caso desapareceram ou foram destruídas", declarou Finney numa entrevista, o que torna quase impossível provar a inocência ou culpa de George Stinney. "Preciso de algo mais do que meros ecos de emoção da comunidade, para levar novamente o caso a Tribunal", declarou na altura.

A emoção ainda ecoa em Alcolu. Os Stinney foram obrigados a calarem-se enquanto o Estado lhes matava o filho. "Os meus pais estavam simplesmente sem ajuda para fazer alguma coisa," disse o irmão Charles Stinney, na sua declaração. "Não tinham dinheiro. A Lei estava contra eles, e eram negros no Sul dos Estados Unidos de 1944."