EUA e Cuba vão restabelecer relações diplomáticas depois de 53 anos em que os países estiveram de "costas voltadas". Este anúncio histórico foi feito nesta quarta-feira pelos presidentes norte-americano, Barack Obama, e cubano, Raúl Castro. Obama revelou que um dos objetivos do país é terminar com o embargo ao arquipélago comunista que já dura desde 1962, um ano depois de os norte-americanos terem tentado invadir, sem sucesso Cuba, liderada na época por Fidel Castro. Num discurso público, o presidente norte-americano referiu que o isolamento a que Cuba foi sujeita durante mais de 50 anos "não funcionou" e, por isso mesmo, chegou "o momento de uma nova aproximação".

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Segundo Obama, o reatar das relações diplomáticas será o "início de um novo capítulo" para estas duas nações. Uma das frases mais marcantes de Obama durante o seu discurso, dita em espanhol, foi "Somos todos americanos!".

Os EUA pretendem reabrir a embaixada na capital cubana, Havana, que se encontra encerrada há mais de 50 anos e será estudada a hipótese de retirar Cuba da lista de países terroristas. Para além disso, os EUA comprometeram-se em reduzir o embargo, que não foi ainda levantado, em relação à ilha comunista, possibilitando assim um crescimento das relações económicas entre os dois países. Estas medidas visam também facilitar as viagens entre cidadãos de ambas as nações.

À mesma hora que Obama discursava, o seu homólogo cubano fazia o mesmo. Raúl Castro revelou que os países encontraram soluções para problemas que tinham em comum.

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Depois, pediu aos cubanos que respeitassem a decisão, alertando, no entanto, que o acordo não resolvia o embargo económico. Castro defendeu o fim deste bloqueio que, segundo o chefe cubano, "tem muitos prejuízos humanos e económicos" para o país.

O anúncio oficial da reaproximação entre os dois países americanos chega a público depois de ter sido libertado o norte-americano Alan Gross, que estava preso há cinco anos em Cuba, sob a acusação de espionagem. Gross já chegou entretanto a território norte-americano, tendo sido libertado, segundo Obama, "por razões humanitárias". Para além disso, Cuba libertou um espião norte-americano preso há mais de 20 anos na ilha cubana. Em contrapartida, os EUA libertaram três espiões cubanos que estavam presos em território norte-americano há 13 anos.

Papa Francisco ajudou na reaproximação

As negociações, que duraram 18 meses, tendo em vista a libertação de Alan Gross, tiveram a intervenção do Vaticano. Os dois presidentes realçaram a importância que o Papa Francisco teve no processo de negociação nos últimos meses.

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Após os discursos dos dois presidentes, o chefe máximo da Igreja Católica fez saber, através de um comunicado, que "se agradou vivamente" com o anúncio do retomar das relações diplomáticas entre os EUA e Cuba, que é algo do "interesse dos respetivos cidadãos".

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, apontou também já a importância deste acordo entre os dois países, apelidando-o de "muito positivo". De seguida, agradeceu aos presidentes Obama e Castro por darem um passo importante para a reaproximação e mostrou-se disponível, em nome da ONU, para apoiar um maior envolvimento entre ambas as nações. Apesar da aproximação entre os dois países, as medidas que têm em vista o levantamento do embargo a Cuba ainda terão de ser aprovadas no Congresso norte-americano.