Após a libertação do seu irmão mais velho, Wiley Bridgeman, e do seu amigo Ricky, com quem fora preso e condenado à morte em 1975, por um assassínio de que eram inocentes, Ronny Bridgeman, que já havia sido libertado por bom comportamento em 2003, foi esta semana igualmente ilibado de toda a culpa, perante declaração do tribunal. Ronny, que entretanto mudou de nome para Kwame Ajamu, ouviu da boca de um juiz, como era seu desejo, serem-lhe retiradas todas as acusações. "Fico feliz por esta batalha ter chegado ao fim," disse Ajamu, choroso, enquanto agradecia aos advogados e à sua esposa, antes de dar abraços ao juiz e ao procurador.

Os outros dois homens foram libertados no mês passado, após cumprirem perto de 40 anos de uma pena de prisão, baseada no único testemunho de um rapaz de 12 anos, que só agora se veio retratar dessas declarações, alegando terem sido feitas em ambiente coercivo e de intimidação por parte da polícia.

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Kwame poderia ter sido ilibado no mês passado, ao mesmo tempo do irmão e do amigo, mas fez questão de estar presente, numa sessão posterior, e de ouvir a declaração do tribunal pela boca do juiz. A advogada de defesa, Terry Gilbert, afirmou que os procuradores do Condado tomaram uma atitude corajosa por não se oporem ao retirar das acusações a estes três homens. Os procuradores também disseram que não poriam entraves ao pedido de mais de 4 milhões de dólares de indemnização, por prisão indevida, que segundo a lei do Estado do Ohio, pode ser atribuída a prisioneiros que tenham cumprido penas indevidamente (40.000 dólares por ano de prisão indevida, segundo a lei).

No passado, as tentativas de obter tais indemnizações foram contrariadas pelos procuradores do Condado, mas neste caso não o farão, disse Mary McGrath, a Procuradora Delegada que arquivou os processos.

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"O fundamento da evidência deixou de ter consistência, após a retratação da única testemunha que deu os nomes à polícia e identificou os indivíduos em tribunal," declarou McGrath em documentos. "Não é uma experiência usual ver a Procuradoria declarar a inocência de pessoas que condenou anos antes. É uma atitude de louvar," disse Terry Gilbert. "Sinto-me vindicado. Sinto-me livre," declarou Ajamu, que em breve visitará a campa da sua mãe, Bessie Mae Bridgeman, falecida em 1990, a quem pretende explicar a sua luta. "Se ela me ouvir, e rezo por isso, vou-lhe contar tudo. Os últimos dias da sua vida foram penosos." #Justiça